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Oiapoque – 6º Dia – Mãe do Rio – Belém

17/06/2012

Saímos de Mãe do Rio tranquilos pelos 200 km que teríamos que fazer até Belém. A moto do Haroldo estava bem, apesar da autonomia reduzida pela metade. Ele iniciou procedimentos para conseguir uma bomba de gasolina nova, e tentar talvez enviá-la para algum lugar no norte onde pudéssemos pegar.

Rui: "Chegando em Belém - PA, terra do menino Jesus ! Que emoção !"

Rui: “Chegando em Belém – PA, terra do menino Jesus ! Que emoção !”

Chegamos finalmente na famosa Belém do Pará, a Metrópole da Amazônia. Cidade grande com seus 1,5 milhão de habitantes, Belém é rica na sua história e no seu povo. Mundialmente conhecida, é considerada uma cidade cosmopolita, devido a várias levas de imigrantes europeus que se instalaram por lá, e já teve o título da cidade brasileira mais desenvolvida, durante o ciclo da borracha, com seu apogeu entre 1890 e 1920. Nessa época, Belém contava com tecnologias e arquitetura não rivalizadas pelas cidades do sul e sudeste, como o mais moderno cinema brasileiro, além de diversos teatros e palácios.

O mercado do Ver-o-peso, a única atração de Belém que pudemos curtir nesse dia. Um pequeno palácio de metal.

O mercado do Ver-o-peso, a única atração de Belém que pudemos apreciar nesse dia. Um pequeno palácio de metal. Do lado de fora, atrás de onde se vê na foto, fica uma feira ao ar livre.

Chegamos e fomos direto a área portuária da cidade, em busca de transporte para Macapá. A idéia era sair em direção ao Amapá o mais rápido possível. O trânsito era bem caótico. Paramos em alguns lugares para perguntar, e por fim fomos parar em uma empresa transportadora que lidava com balsas.

Achamos o preço, no entanto, um quanto tanto salgado. O cara disse que levaria as três motos por 630 reais, depois de eu ter chorado um desconto (o preço original era 700). Esse foi um dos muitos momentos que vimos o quanto o norte do Brasil é bem mais caro do que pensávamos que seria…

Um detalhe que não nos agradava na balsa era o fato de ser necessário enviar as motos sozinhas e termos de arranjar transporte para nós mesmos em outro barco. Apesar do gerente me avisar que seria difícil arrumar um barco de passageiros que levasse as motos (aparentemente isso é contra as regras), nós continuamos nosso caminho atrás de um.

Nesse ponto, paro um pouco a narrativa para atentar para um detalhe, não tão detalhe assim, de Belém: o CALOR ! Durante todo esse tempo, estávamos pasmos com o calor e a sensação térmica da cidade. Não havia nenhum momento que o calor não nos incomodasse. Durante toda a viagem, percebemos o aumento da temperatura, mas esse dia em Belém foi uma paulada de uma vez só. E não é pra menos: durante todo o ano a temperatura fica acima dos 30 graus, e o clima é bastante úmido colaborando para aumentar a sensação térmica. Fora o fato de estarmos usando pesadas roupas de cordura.

O Coronel José Júlio seria nossa casa por 2 dias em terra mais 2 dias em água.

O Coronel José Júlio seria nossa casa por 2 dias em Belém mais 2 dias em água. A sensação de andar com a moto em cima de uma ripa de madeira onde embaixo só existe água não é lá muito boa.

Chegamos nas docas dos barcos de passageiros. Vimos um barco que estava de saída para Macapá, mas infelizmente não seria possível embarcar nele pois estava muito em cima da hora, e muito menos pelo fato de estarmos com as motos. O sujeito que nos atendeu, no entanto, fez uma proposta: sairíamos em um navio dali a 2 dias, com as motos embarcadas, e enquanto isso poderíamos ficar hospedados no próprio navio. Era uma proposta interessante: economizaríamos hotel enquanto visitávamos Belém e viveríamos uma pequena aventura de marinheiro. Topamos, apesar do preço também ter sido bem salgado: 300 reais por cada moto mais 500 por um camarote, que só iria servir para guardarmos as malas em segurança.

Chegamos no Porto de Munducurus, numa região não muito nobre da cidade, onde encontramos nossa morada pelos próximos dias: o navio (e era um navio, não um barco, pelo fato de ser feito de metal) Coronel José Júlio. A primeira impressão não era das melhores: o porto era um lugar ermo em uma região aparentemente perigosa, e o fato das motos terem que ficar por ali durante esse tempo não animava muito. Conversamos com os responsáveis do navio, e a idéia era que deixássemos as motos trancadas em um armazém do porto até o dia seguinte, quando iríamos embarcá-las. Fomos tranquilizados pelo fato de ficarem marinheiros no porto o dia inteiro, e a noite terem um segurança por lá.

Camarote, que serviu praticamente de armário. E uma vitima do calor.

Camarote, que serviu praticamente de armário. E uma vitima do calor.

Desfizemos as malas em um esforço hercúleo, devido ao cansaço que já estávamos, ao calor e ao fato de termos que carregá-las para o convés superior, ainda vestidos com calças de cordura. Trocamos de roupa e trancamos as malas no camarote, deixamos o porto e fomos pegar um táxi para o mercado do Ver-o-peso.

Na situação que estávamos, tudo que queríamos era uma cerveja gelada e um bom tira-gosto local para relaxar, e nada melhor que o Ver-o-peso para essas necessidades, como nos disse o nosso taxista Michel. Esse cara foi a primeira prova de algo que ouvimos falar sobre os belemenses: eles podem parecer um tanto quanto “folgados” aos olhos dos sulistas. O fato é que ele ficou nosso “amigo” com demasiada velocidade e se aproveitou um pouco da nossa boa vontade. Depois de nos deixar no mercado, o Michel nos acompanhou até a mesa, sentou, bebeu e comeu com a gente, e simplesmente saiu em busca de outro passageiro.

Nós tomando uma merecia Cerpa no Ver-o-peso, e Miichel, o taxista folgado.

Nós tomando uma merecida Cerpa no Ver-o-peso, e Michel, o taxista folgado.

Nesse dia no Ver-o-peso, nós contamos a marca histórica do número de cervejas por minuto que tomamos. Existia controvérsia nesses números, por serem altos demais. Depois, achei a anotação oficial no relato guardado no meu celular: tomamos aproximadamente 6 cerpas em 5 minutos. A cerveja ajuda: é bem leve e até um pouco aguada, mas ideal pro calor que faz na cidade.

O camarão de lá é simplesmente fenomenal. Só rivalizado pelo de Floripa.

O camarão de lá é simplesmente fenomenal. Só rivalizado pelo de Floripa.

Também quisemos experimentar os sabores regionais: um senhor camarão, grande, suculento e saboroso, e um peixe com açaí. Açaí é como arroz por aqui: é muito comum e pode acompanhar qualquer coisa. E não é como aquele do sudeste, que é doce. No Pará o açaí é “de raiz”, sem adições malucas de açúcar, guaraná, mel e etc. Não me agrada, se me perguntarem, mas o Rui curtiu o açaí com peixe.

O Rui curtiu o pirarucu com açaí.

O Rui gostou do pirarucu com açaí.

Depois de muito peixe, cerveja e camarão, ficamos ali por um tempo, só esperando a preguiça passar. Saímos do Ver-o-peso e fomos em busca de redes para comprar. Ter uma rede por aqui é praticamente uma regra, e é a única forma de viajar de barco caso não se tenha um camarote. Como nosso camarote no barco serviria somente para as malas, compramos nossas garimpeiras (rede pequena de nailon)  e voltamos para o porto.

Na chegada ao porto, surpresa: O navio onde estávamos hospedados não estava mais lá! A primeira sensação foi desespero. Depois perguntamos no bar do porto e nos informaram que tinham saído para fazer testes nas máquinas.

Nossa casa foi dar uma voltinha.

Nossa casa foi dar uma voltinha.

Ficamos no bar esperando nossa casinha voltar. Nesse meio tempo o cansaço bateu forte.

Abatidos....

Abatidos….

... pelo calor.

… pelo calor.

Depois da volta do navio, acabamos terminando o dia ali mesmo no bar do porto.

O buteco do porto de munducurus, onde tomamos uma cerveja em companhia dos marinheiros.

O buteco do porto de munducurus, onde tomamos uma cerveja em companhia dos marinheiros.

Ao fim do dia, fomos ao barco amarrar nossas redes. Essas redinhas garimpeiras são impressionantes pelo pouco espaço que ocupam fechadas, e quando abrem são uma rede de tamanho normal.

Nossas acomodações pelos próximos dias.

Nossas acomodações pelos próximos dias.

Mais tarde, depois de tomar banho, eu e Haroldo ainda saímos para conhecer a noite belemense. Nosso destino foi um bar numa região que lembra um pouco nossa savassi. Voltamos ao navio e capotamos nas redes, prontos para continuar o turismo em Belém no dia seguinte.

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