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Machu Picchu – Preparação

17/05/2011

Começamos a pensar nessa viagem de Machu Picchu cerca de um ano antes dela acontecer. Nessa época, o máximo que algum de nós tinha de kilometragem em uma só viagem não devia passar muito de 3500km, e nunca pra fora do Brasil. Como planejávamos fazer cerca de 10000 Km e para países desconhecidos, começamos a pesquisar arduamente na internet sobre o trajeto, os países a serem visitados, pontos turísticos, estradas, cidades, leis, e inúmeras outras coisas. Qualquer blog de viagens já era uma fonte valiosa de informação.

Procuramos e lemos sobre várias pessoas que fizeram o mesmo roteiro. Isso nos deu uma noção boa sobre as estradas, como passar nas fronteiras, gastos em geral. Depois de compilados N sites, mapas e revistas sobre o assunto, começamos a definir o roteiro.

Pra começar, definimos que faríamos caminhos diferentes pra ida e volta. A rota mais comum do sudeste do Brasil para Cuzco era indo pela Argentina, Chile e atravessando a fronteira sul do Peru. Decidimos que esse seria nosso caminho de volta. O caminho de ida seria um bem menos comum: ir ao Peru cruzando a fronteira pelo Acre. Dessa forma, no caminho de ida sairíamos de Minas, passaríamos por Goiás, Mato Grosso, Rondônia, e finalmente, Acre. Cruzaríamos a fronteira leste do Peru, indo para Cuzco, e de lá desceríamos para o Chile, passando pelo Atacama, e indo pra Argentina em seguida, para retornar ao Brasil por Foz do Iguaçu no Paraná, passando ainda por São Paulo antes de retornar a Belo Horizonte. Ao todo, o roteiro passava por 7 estados brasileiros e mais 3 países da América do Sul.

Eis o mapa do roteiro:

Mapa (clique aqui para abrir no google maps)

Mapa detalhado

No mapa acima, o ponto verde é nossa cidade natal, BH, ponto de saída e chegada. Os pontos azuis são as cidades intermediárias, que só serviriam para passarmos a noite. Os pontos amarelos são as cidades onde ficaríamos mais dias para turismo: Cuzco, San Pedro de Atacama, e o Salar do Uyuni. O ponto vermelho é o grande objetivo, Machu Picchu, acessível de Cuzco através de um trajeto de trem. Além das cidades previstas, havia alguns dias de folga no roteiro que, caso não fossem usados em nenhuma emergência, usaríamos como dias de turismo em outras cidades, como Foz do Iguaçu. No caso do Uyuni, o trajeto vermelho indica um trecho de terra e sal. Pesquisamos bastante a respeito desse trecho e descobrimos que não era nada recomendável tentar fazer de moto, já que o sal provavelmente iria derreter os pneus e os escapamentos. A idéia então era deixar as motos em San Pedro do Atacama e ir num passeio turístico de jipe até o salar através de uma das inúmeras agências de turismo disponíveis lá.

Com o mapa na mão, foi a vez de fazer o roteiro detalhado em uma planilha. Nele colocamos as datas, origens e destinos de cada dia, quilometragem prevista para o dia, horários de saída e chegada, número de abastecimentos para o dia, além dos gastos médios com gasolina, hospedagem, alimentação e gastos extras.

Roteiro (clique para abrir)

A Buell com um galão reserva de 5 litros.

No roteiro acima, a coluna Ritmo determina qual deveria ser o ritmo no dia para cumprir o objetivo dos horários. Na observação marcamos os trechos que teriamos que prestar atenção na autonomia, pela falta de postos. Por conta dessa constatação resolvemos levar galões reservas de gasolina.

Mapa na mão, roteiro pronto, bastava preparar as motos e esperar a data chegar! Cada um fez uma lista das peças e ferramentas que seriam interessantes de se levar na viagem. Para essa parte, pegamos os manuais de serviços das motos, foruns da internet e dicas de mecânicos das próprias concessionárias. No meu caso, eu olhei a composição do Buell Toolkit vendido pela própria marca na internet, e montei um kit de ferramentas igual. De peças, levei apenas lâmpadas de farol, um par de rolamentos traseiros e uma correia de transmissão de reserva. Não achava que a correia fosse arrebentar, mas achar uma dessas por aí não seria nada fácil.

O Rui, nosso mecânico, levou peças e ferramentas suficientes para montar uma moto reserva. hehe. Mas falando sério, ele foi bem preparado nesse quesito, tanto de equipamentos quanto de conhecimento sobre o assunto. Entre as bugigangas que ele levou, destaco três que foram extremamente úteis: uma bomba de ar manual para calibrar pneus, uma vareta medidora de pressão, e milhares de braçadeiras de náilon. Também faziam parte de todos os kits os sprays de reparo de pneu, extremamente úteis.

No resto da bagagem, fora as roupas, levamos sacos de dormir, fogareiro, miojo, barracas e outros materiais de acampamento. Estávamos preparados para acampar no frio se fosse necessário. No fim das contas, acabamos não tendo que acampar, mas alguns desses materias nos foram muito úteis, como o fogareiro e o miojo. Destaque para os rádios motorola que nos garantiam comunicação numa distância de até 10 km.

E falando em frio, vem a parte das roupas. Todos levamos segunda pele, o que literalmente nos salvou na travessia dos andes. Jaquetas e calças de cordura foram itens de praxe. Quanto as luvas, eu levei duas: uma normal de moto e uma de esqui na neve, o que foi bem útil. Durante a viagem aprendemos que é essencial levar duas luvas para andar no frio: a primeira vai acumulando umidade durante o dia, e começa a congelar no frio extremo, hora de trocar para a segunda luva. Balaclavas também foram essenciais, além de meias grossas para as botas. E quanto as botas, essas devem ser impermeáveis: a minha não era e me fez passar um frio desnecessário nos pés. Também levei um acessório conhecido como Jac, que é uma espécie de babador com gola grossa para proteger o pescoço e o peito.

O grande problema de andar no frio é a umidade. Onde acumula umidade, esfria drasticamente. No geral isso acontecia com as luvas, as meias, e a balaclava. Nossa segunda pele era do tipo transpirável e permitia que o suor saísse sem acumular umidade, o que protegia o resto do corpo. Portanto, sempre que andar no frio, tomar cuidado com o acúmulo de umidade. Fora isso, protegendo bem do vento e não deixando frestas na roupa, dá pra encarar o frio numa boa!

Clique para ver o frio que enfrentamos (vídeo)

Não esquecer das capas de chuva. Mesmo jaquetas e calças de cordura impermeáveis tendem a acumular umidade caso enfrentem chuva forte, então a capa é bastante recomendável. Uma vantagem de viajar no inverno é enfrentar menos chuvas: em um mês de viagem pegamos 15 minutos de chuva.

Com a bagagem pronta, foi a vez de revisar todas as motos, colocar pneus novos, e bastou esperar a data para zarpar! E vamos nós !

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From → Machu Picchu

6 Comentários
  1. Carla permalink

    Que bando de preguiçoso! Vocês foram pra Machu Pichu de trem? Dá para ir a pé! 😛

  2. É exatamente a maioria das pessoas que vai a pé, quem diz que não da pra ir a pé.

  3. Olá amigos!!!
    Fantástica a viagem e o relato!
    Uma pergunta: o caminho de ida foi pela nova estrada chamada de Interoceânica, aquela de parceria entre Brasil e Peru?
    Um abraço

  4. eduardo permalink

    Genial a viagem de vocês, saio dia até o dia 15 de novembro de 2011 de Porto Alegre, vou descer até Ushuaia, e depois subir até o Peru, valeu pelos relatos vão ser de grande ajuda.

    Grande abraço. Ahhhh Vou testar uma Tenerezinha 250……vamos ver se ela aguenta.

  5. fred permalink

    quase saindo eduardo,
    boa sorte camarada, Deus te acompanhe.

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