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Machu Picchu – 9º Dia – Rio Branco

14/06/2011

Acordei com o Logan ligando e pedindo para que alguém o substituísse no hospital. Só aí que me dei conta que já era domingo e o Rui já tinha trocado com o Logan e estava dormindo ali do lado na outra cama. Eram umas 7 da manhã. Acordei o Rui e ele me atualizou sobre a situação do Chaltein. O Sandro havia passado o hospital para ver o Chaltein e nos deu uma tranquilizada. Tomei um banho rápido e fui pro hospital substituir o Logan.

Um dos conselhos do Sandro, é que nós não levássemos o Chaltein para o hospital da Unimed, uma idéia que passou pela nossa cabeça. De acordo com ele, enquanto o Chaltein tivesse que ficar no hospital, que fosse no pronto socorro, que é um lugar mais bem preparado para tratar emergências, com mais cirurgiões, neurologistas, ortopedistas, etc, de plantão.

Chegando no hospital, o Chaltein havia sido transferido para um quarto, onde eu troquei com o Logan e fiquei aguardando. Havia um grande impasse: o seguro conseguiria a passagem de avião para transportá-lo, mas era necessário retirá-lo do hospital e isso significava receber alta. Para isso, o Chaltein precisava conversar com o neurologista do hospital, que ficava intermitentemente por lá, passando de vez em quando pra ver pacientes. O Chaltein não acordava de jeito nenhum, e a medida que não conseguíamos falar com ele, aumentava nossa preocupação. A notícia que tive do Rui e do Logan é que ele ficou o tempo todo dormindo, com raros momentos meio sonâmbulos. Ele poderia estar com algo muito grave na cabeça, num lugar sem condições de atendê-lo, o que aumentava dramaticamente nosso desespero de mandá-lo pra casa. Além de estar com 2 ossos do braço esquerdo quebrados precisando de cirurgia urgente.

Bom, restava esperar que o Chaltein acordasse… eu fiquei sentado na cadeira a manhã inteira, não sei por quantas horas, prestando atenção em cada micro movimento que ele fazia, na esperança de ser um sinal de consciência.

E nada…

Passaram com o café da manhã do hospital, e tentei acordá-lo pra comer, esperando que isso fosse um motivo forte o sufuciente pra chamar a parte consciente do cérebro a tona.

E nada…

De vez em quando eu atendia telefonemas da mãe do Chaltein, do Rui, do Logan, e aproveitava pra tentar chamá-lo para atender o telefone, na esperança que ele se interessasse em falar com alguém e acordasse.

E nada…

Nesse meio tempo o neurologista do pronto socorro passou algumas vezes, pra verificar se o Chaltein podia conversar. Ele via minha cara de desespero quando eu respondia que o Chaltein não acordava, e tentou me tranquilizar dizendo que isso era normal em casos de pancada na cabeça, que o cérebro usa isso como uma defesa pra dar tempo de se recuperar, que ele iria acordar a qualquer momento. Mas nem isso conseguia me acalmar.

Até que… acordou!! Acordou!! Finalmente, o Chaltein acordou! E dessa vez, não era como os espasmos sonâmbulos, ele falava e respondia as minhas perguntas. Apesar de não lembrar de nada, de onde estava, o que estava fazendo ali, e estar bastante desorientado e confuso ainda, ele falava e andava. Imediatamente saí correndo atrás do neurologista. Ele veio até o quarto e conversou com o Chaltein, fez algumas perguntas, pediu que seguisse o dedo com os olhos, entre outros testes, e deu o laudo: “O paciente está ok para sair do hospital.” Finalmente! Era a primeira boa notícia em muito tempo!

Liguei pro Rui pra contar a novidade: “Cara, o chaltein acordou, tá consciente, tá falando, tá andando, já falou com o neurologista e vai ganhar alta!”. Foi uma alegria só. Foi a primeira vez que sentimos que o Chaltein ia realmente escapar desse acidente… até esse momento, só existia medo e incerteza do que ia acontecer com ele.

Fizemos os preparativos para tirar ele do hospital. Rui conseguiu um quarto pra ele no nosso hotel e foi ao hospital nos acompanhar. Colocaram o Chaltei em uma cadeira de rodas e fomos para a porta da emergência esperar um taxi. Coloquei o Chaltein no taxi e fomos ao hotel. Chegando lá entramos no nosso quarto, acordando o Logan que estava dormindo desde seu último turno no hospital. O Chaltein entrou, viu a bagunça, e mandou seu famoso “que beleeeeeza”. Todo mundo riu muito, não só da piada, mas do fato do Chaltein estar contando piadas. Foi uma reunião emocionante, todos fora do maldito hospital, nosso amigo ali em pé falando conscientemente, pronto pra ir pra casa.

Nosso quarto. Percebam porque o Chaltein ficou impressionado.

Resolvemos que seria uma boa idéia dar uma volta com o Chaltein, comer alguma coisa, pra ver como ele estava, como reagia. Saímos andando pela cidade. Estávamos perto da prefeitura e de uma praça, onde fomos a uma lanchonete para comer. Ele andou e se alimentou bem, tirando o pequeno detalhe de tentar pagar a conta 3 vezes. Voltamos ao hotel e o Chaltein disse que estava cansado e foi dormir no outro quarto que arrumamos.

Bom, faltava acertar os detalhes para enviá-lo de volta pra Belo Horizonte. O maledeto do seguro só arrumou uma passagem e disse que ele teria que ir sozinho, porque “o médico do seguro conversou com o médico do hospital e concluiu que o paciente poderia viajar sozinho”. Gostaria de saber como o maldito médico do seguro chegou nessa conclusão. Não havia jeito de comprar passagens normalmente, a mais próxima seria pra 15 dias a frente. O seguro nos deu 2 opções: uma no dia seguinte (segunda) e um na quarta. O vôo de segunda tinha 2 conexões, uma em Porto Velho e uma em São Paulo, além de uma escala em Cuiabá, e o vôo de quarta tinha uma conexão em Brasília.

As conexões nos vôos eram um grande problema. O Chaltein ainda estava esquecendo tudo e estava muito confuso, com dificuldade até pra conversar. A gente poderia garantir o embarque dele em Rio Branco, mas as conexões ele teria que fazer sozinho. Fora isso não havia a menor condição de enviá-lo de ônibus e não queríamos esperar mais 15 dias pra poder viajar com ele, ele tinha que chegar em casa rápido, precisava ser tratado adequadamente. Conversamos muito com a família dele pra decidir o que seria feito.

Acabamos decidindo enviá-lo no dia seguinte, segunda-feira, pelo vôo de duas conexões. A primeira conexão, em Porto Velho, ele teria que fazer sozinho. A escala em Cuiabá seria tranquila por não precisar sair do avião. Na segunda conexão, em São Paulo, o pai dele conseguiu uma passagem no mesmo vôo pra Belo Horizonte, e iria esperá-lo em Guarulhos. Depois de embarcá-lo no aeroporto, enviaríamos as malas dele de volta pelo correio, e a moto através de uma transportadora, cujo contato conseguimos também através dos nossos contatos no Acre.

Acordamos o Chaltein e explicamos pra ele o que seria feito. Ele concordava e falava que estava entendendo tudo o que a gente dizia, mas não nos passava nenhuma confiança que iria lembrar do que foi dito. Pega vôo X da compania Y, desce do vôo, pega outro vôo Z da compania W… Não seriam tarefas nada fáceis de serem cumpridas no estado em que ele estava. Fizemos um “manual” escrito com todas as instruções pra que ele pudesse ler, fizemos ele ler o papel diversas vezes, explicamos diversas vezes. Enfim, fizemos tudo ao nosso alcance pra que ele lembrasse do que deveria fazer. Colocamos tudo o que ele precisaria na pochete dele.

Combinamos que o Rui o levaria no dia seguinte para o aeroporto. O vôo saia muito cedo, por volta das 6h, e ele acordaria de madrugada pra ajudar o Chaltein a se preparar para a viagem. Estávamos bem apreensivos pelo fato do Chaltein ter que fazer a conexão sozinho, mas confiantes que nossa sorte tinha mudado e tudo ocorreria bem dali pra frente.

Tudo encaminhado com o caso do Chaltein, decidimos que continuaríamos viagem. Para adequar o roteiro, bastaria retirar os dias que seriam dedicados ao passeio no Salar do Uyuni. Avisamos nossos amigos que estavam nos esperando em Cuzco (Luís e Roberto) que iríamos continuar, apesar do atraso talvez conseguíssemos encontrar com eles a tempo. Nossa saída de Rio Branco iria depender do conserto da roda da Buell, que eu só teria notícias no dia seguinte.

Bom, depois desse dia cheio de emoções, fomos dormir com a sensação que o pior já tinha passado. Mal sabíamos que essa “saga” ainda não tinha terminado, e o dia seguinte ainda reservava algumas surpresas e apertos.

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