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Machu Picchu – 13º Dia – Mahuayani (PER) – Cusco (PER)

21/06/2011

Acordamos todos com Soroche: uma dor de cabeça estonteante, efeito da mudança rápida da altitude. Como estávamos a apenas 200 km de Cusco e não tínhamos assim tanta pressa, decidimos que seria uma boa idéia tomar uma neosaldina e voltar a dormir. Dormimos por mais uma hora e acordamos livres das dores de cabeça, mas ainda com efeitos da altitude, como fraqueza e um pouco de falta de equilíbrio. Além de uma preguiça danada de sair das camas quentes.

A vila onde dormimos era realmente muito pequena. A população simples parecia viver de criação de animais e de pequenas plantações na beira das montanhas. Na manhã de céu limpo pudemos ter a primeira visão diurna dos andes. Era fantástico: estávamos bem no meio de uma cadeia de montanhas, com picos por todos os lados.

Metade da vila....

... e a outra metade.

Tivemos dificuldades pra colocar a bagagem de volta nas motos, graças a altitude novamente. Na hora que estávamos saindo da pousada, nos deparamos com uma bandinha passando pela vila. Parecia ser um dia de festividades. Subimos nas montarias e partimos em direção a Cusco.

A estrada onde estávamos foi um dos pontos altos de toda nossa viagem. Era uma cena indescritível: montanhas pra todos os lados, vegetação marrom, um céu absolutamente azul e um rio nos acompanhando. Cada curva era uma nova vista fantástica das cordilheiras. No caminho avistamos ao longe os picos nevados dos andes. Na minha opinião, todo motociclista que se preze sabe que o caminho é tão ou mais importante que o destino pra onde se vai. Essa estrada incorporou isso ao pé da letra.

Clique nas fotos para ampliá-las

Tiramos várias fotos no caminho. Estávamos descobrindo um ambiente totalmente novo para nós.

Andamos mais um pouco e pudemos avistar ao longe os picos nevados dos andes. São montanhas muito altas onde se vê neve o ano todo. É uma bela vista.

Nossa primeira vista dos picos nevados.

Na parada para a foto acima, o Rui saiu com a máquina dele pedindo pra fotografar uma senhora que passava com um traje típico da região, com um pano nas costas carregando alguma coisa. Enquanto ele negociava com a mulher, que queria cobrar 5 soles pela foto, eu aproveitei pra ter meu momento National Geographic:

Falando em fotos, cabe uma explicação aqui. Na viagem, eu levei uma máquina digital comum, e o Rui levou uma profissional de filme. Porém, ele teve um probleminha com a máquina dele, e a maioria das fotos tiradas em filme foi perdida. Por isso em algumas ocasiões ele pode ficar “de fora” das fotos, já que geralmente as fotos dele eram tiradas na máquina dele.

Continuando a estrada, fomos passando por diversas vilas do distrito de Ocongate. Chegou um ponto que ficamos receosos de continuar a estrada com pouco combustível, e acabou que paramos em um posto bastante, digamos, pitoresco, como se pode ver pelas fotos abaixo.

O moderníssimo posto de gasolina

Logan abastecendo

Seguindo adiante, passamos pela cidade de Ocongate, a última cidade antes do nosso grande destino. Agora havia apenas Cusco pela frente! O primeiro grande objetivo da viagem estava perto de ser alcançado. A sensação de vitória começava a crescer dentro de nós. Nesse último trecho antes de Cusco, a estrada se torna extremamente sinuosa, subindo e descendo as montanhas constantemente, com várias curvas de 180 graus. Sentimos que as motos não estavam rendendo como de costume: a altitude também estava afetando nossos motores.

Somos nozes !

Numa dessas subidas, paramos no topo de um morro para tirar uma bela foto da paisagem com os picos nevados ao fundo. Nesse ponto, eu posso jurar que estávamos a mais de 5000 metros de altitude, mas, como se pode ver no vídeo abaixo,  o Rui e o Logan ficam me corrigindo dizendo que não dava pra saber, bla bla bla…

A Buell também quis uma foto.

No caminho que se seguiu, passamos ainda por um mirante que dá vista para os picos, onde paramos para lanchar, já que era próximo da hora do almoço. Depois disso, a estrada vai nos levando entre as montanhas para um lugar um pouco mais plano, onde se começa a ver algumas comunidades mais populosas (não que isso signifique muito) na beira da estrada. Foi nesse trecho que avistamos a placa que nos deu a certeza de que, finalmente, depois de todos os percalços, nós havíamos completado a grandiosa primeira etapa de nossa fantástica viagem: “Bienvenidos a Cusco”!

We are the champions!

Yes! We did it! We are the Champions!

Era uma alegria só! Estávamos lá, finalmente. Descemos das motos e literalmente pulamos de alegria comemorando uns com os outros! Curiosamente, cada um de nós comemorou cantando uma música diferente.

Continuamos depois dessa placa, e a cidade mesmo ficava mais adiante. Cusco é uma cidade bem grande para os padrões peruanos, com 300 mil habitantes. Atravessamos uma boa parte da cidade, onde se via o mesmo caos no trânsito e um cenário urbano não muito animador, pra chegar no centro histórico, onde se concentra o turismo na cidade. O centro histórico sim, vale a fama! É praticamente uma outra cidade. Ruas e calçadas de pedra, construções antigas enormes, comércio intenso e uma aglomeração sem fim de turistas.

O Rui havia reservado o albergue pra nós, e deu um jeito de encontrá-lo: The Point Hostel. Havia um probleminha: com o nosso atraso de vários dias, nossas reservas tinham sido canceladas. Nossos amigos Luís e Roberto, que foram de avião e não se atrasaram, já estavam hospedados nesse albergue. Chegamos lá e nem precisamos nos apresentar, a recepcionista já sabia quem éramos: os brasileiros de moto que tinham perdido a reserva. Mais um pouco de conversa e ela conseguiu dar um jeitinho pra nos hospedar lá. Entramos com as motos no pátio.

Enquanto terminávamos de chegar, eu fazia ligações pra casa afim de dar notícias sobre nós e saber sobre o documento necessário para atravessar a fronteira do Chile. Minha família estava olhando isso pra mim. Nesse meio tempo, Luis e Robert chegam ao albergue. Quando nos viram, o Robert até esqueceu da gringa com a qual ele batia um papo animado, e correram ao nosso encontro! Era uma quinta feira, e como tradicionalmente fazíamos todas as quintas, abrimos o buteco e brindamos ao nosso sucesso!

Encontro com a equipe em terra!

Depois da chegada, terminamos de descarregar, e fomos tomar merecidos banhos e descansar. Mais a noite fomos até a praça de armas ver o movimento local, e fechamos a noite em um bar na antiga capital dos Incas!

Relato do Luís:

Para vocês entenderem melhor a alegria que foi este momento do
encontro com os aventureiros em Cusco, temos que voltar um pouco no
tempo. Desde que eles saíram de BH, eles sempre se comunicavam com a
gente via e-mail nos passando o local onde estavam e se estavam
atrasados ou não em relação ao roteiro original. A previsão inicial
era a chegada no sábado ou domingo (17 ou 18 de julho). O Roberto
havia chegado 1 dia antes de mim em Cusco (quinta) e assim que cheguei
ele já me deu a notícia que os motociclistas tinham feito contato
dizendo que chegariam no domingo. Até então tudo bem, era sexta-feira
e mal sabíamos os perrengues que nossos amigos passariam naquele dia.
Ao voltarmos para o albergue no sábado à noite tivemos a notícia do
acidente em Rio Branco. Tentamos desesperadamente ligar para os
aventureiros de uma cabine até que conseguimos falar com o Logan, que
estava com o Chaltein no hospital. Quando ficamos sabendo mais
detalhes e que eles ainda não sabiam se continuariam a viagem, uma
mistura de decepção, tristeza e preocupação nos assolava. Além da
preocupação pelo estado de saúde do Chaltein, estávamos ali meio
atordoados, sem saber o que faríamos e decepcionados por todos os
planos que fizemos por vários meses daqueles dias em Cusco serem
prejudicados.

Decidimos então fazer os passeios menos interessantes a cada dia e ver
se deixávamos para ir a Macchu Picchu o mais tarde possível, na
esperança de já termos a companhia dos nossos amigos, pois lá era o
ponto de consagração da viagem, tudo aquilo que queríamos ver. Juntos.

Quando tivemos a boa notícia de que o Chaltein já estava retornando
para casa e que eles continuariam a viagem, já não dava mais tempo de
os esperarmos para irmos a Macchu Picchu. Porém, decidimos cancelar as
outras cidades que visitaríamos para esperar nossos amigos em Cusco.
Foi tudo muito bom, todos os lugares que íamos eram incríveis, mas
faltava a presença dos caras. Foi impressionante o dia em que o
Roberto e eu estávamos em uma boate, ouvindo reggaetown a noite
inteira, quando de repente o som é interrompido e quando recomeça,
ouvimos: “Is this the real life? Is this just fantasy? …” Bohemian
Rhapsody, o hino oficial do Gueto (clã ao qual todos perteciam)
tocando em Cusco, após uma noite inteira de reggaetown, macarenas,
lambadas brasileiras. Parecíamos estar sonhando que o ÚNICO rock ‘n’
roll tocado naquela noite era ele! Pulamos igual a uns malucos,
gritando, com lágrimas nos olhos e oferecendo brindes a nossos amigos
que estavam a caminho e que deviam, mais do que nunca, estarem lá
naquele momento.

Mas foi na quinta-feira após uma longa caminhada por Cusco que chegou
o grande momento: quando entramos no albergue, Roberto, Lory (uma
inglesinha que andava com a gente lá de vez enquando) e eu vimos os
caras do outro lado do salão, o Dângelo ao telefone, Rui e Logan
olhando as motos e tomando uma cerveja. Gritamos: “olha os caras, eles
chegaram!!!”. Quando o Rui nos viu, se ajoelhou, ergeu as mãos aos
céus e gritou. Saímos correndo atravessando o albergue e fizemos um
“montinho”, vibrando como nunca. A Lory, lógico, saiu correndo de medo
ao ver aquela situação. Mas mal sabia ela o quanto era importante pra
gente aquele momento. Depois, nos restou abrirmos uma cerveja (e
muitas mais depois) e brindarmos a mais uma quinta-feira (tinha que
ser quinta, dia de Cabral’s né?) com todos juntos de novo. Foi um dia
inesquecível.

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From → Machu Picchu

One Comment
  1. Caroene Gandra permalink

    Que lindo!!! Quase chorei!!!!

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