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Machu Picchu – 17º Dia – Machu Picchu

13/07/2011

Acordamos cedo e fechamos a conta do hotel. Estávamos ansiosos pelo grande dia, e fomos em direção aos ônibus.

A cidadezinha onde estávamos, Águas Calientes, fica próxima ao leito do rio e é completamente cercada por montanhas. A partir de lá, para chegar à cidade sagrada é necessário pegar um ônibus que faz a subida da montanha onde está a cidade de Machu Picchu, que fica entre a montanha Machu Picchu e a montanha Huayna Picchu.

Compramos as passagens de ônibus e aproveitamos pra tomar um café despreocupado em uma lanchonete próxima, pois estávamos adiantados. Aqui cabe observar a questão dos preços em Águas Calientes: por ser uma cidade completamente turística, qualquer aperitivo sai num preço bem salgado, e o café da manhã não foi exceção. A cidade só vive pra apoio dos visitantes de Machu Picchu.

A vegetação bem distinta daquela vista nos Andes

Entramos no ônibus e aguardamos pacientemente a subida. Na estrada podíamos observar as paisagens da região: muitos morros e montanhas completamente tomados por vegetação densa, diferente da visão que se tem dos Andes e de Cusco. Machu Picchu está cerca de 1000 metros de altitude abaixo de Cusco, deixando o ambiente bem diferente da antiga capital Inca.

Carimbo de Machu Picchu no passaporte.

Chegamos na entrada do parque de Machu Picchu e procuramos pelo nosso guia. Esse esquema de guias no Peru é bem caótico: quando compramos nosso pacote pra visita a Machu Picchu numa agência em Cusco, a mulher simplesmente nos deu o nome do guia e um número de celular que poderíamos usar pra contactá-lo. A partir daí cabia a nós marcar com o sujeito e encontrar com ele na porta do parque turístico. Chegando na porta do parque, vimos que o guia nem seria necessário: bastaria entrar num dos muitos grupos de turistas apinhados na porta, e seguir qualquer outro guia disponível. Encontramos nosso guia, que além de conversar em espanhol arrastava um inglês sofrível. Suerte que nieste puento nuestro epañol era fueda e conseguíamos entender a maior parte das explicações na língua nativa dele. Uma curiosidade bacana na entrada do parque é que é possível deixar registrado a visita a Machu Picchu nos passaportes, como se estivesse visitando um outro país.

Finalmente, grupo de turistas formado, tickets na mão, documentos guardados, adentramos o parque. Agora sim, não havia mais nada que pudesse nos impedir, nada que pudesse dar errado, nada que pudesse falhar, nada que pudesse atrasar, nada. Depois 4500 km, passados inúmeros apertos, um acidente grave, uma estrada inacabada, travessias de balsas, frio e isolamento dos andes, estávamos no lugar que selaria de vez o sucesso da nossa empreitada.

Estávamos em Machu Picchu, a cidade sagrada dos Incas!

As primeiras visões já nos deixaram impressionados. Machu Picchu é tão fantástica quanto as histórias a seu respeito. Uma belíssima cidade inca escondida em meio a montanhas verdes, com arquitetura de alto nível e construções que ainda resistem ao tempo e ao homem. Quando penso na história envolvida é incrível imaginar como um povo que não possuía a escrita era capaz de criar uma obra tão magnífica quanto essa cidade de pedra.

Nossa primeira visão da cidade. Ao fundo é possível ver o Huayna Picchu ("montanha nova" em quechua). As casas cobertas tiveram o telhado reconstruído para demonstrar como os Incas cobriam as casas de pedra.

Indiana Jones

Andamos mais um pouco e subimos até um platô que dava a vista da cidade como um todo. A sensação é que estávamos em um filme do Indiana Jones, não fossem as massas de formiguinhas que os turistas formavam de longe.

A primeira vista da cidade como um todo.

Caminhamos mais, parei e olhei para trás para ver o caminho onde estávamos passando, e tivemos a visão da montanha Machu Picchu, que deu o nome à cidade. A famosa trilha Inca que sai de Cusco chega nessa montanha após quatro dias de caminhada.

A vista olhando para trás no caminho que estávamos fazendo. Ao alto em meio a névoa, a montanha Machu Picchu, que significa "montanha antiga" em quechua.

Estava bem cedo e em meio as nuvens e montanhas o sol também dava um espetáculo no amanhecer para apreciarmos, com raios solares surgindo em meio as frestas entre montanhas e nuvens.

O amanhecer em Machu Picchu.

Subimos a um ponto mais alto da cidade, do lado mais próximo da montanha Machu Picchu, e chegamos ao local de onde se vê a famosa imagem usada em inúmeras fotos em cartões postais de Machu Picchu. Claro que aproveitamos para fazer nossas próprias versões.

Nosso próprio cartão postal ...

… e outras versões dele.

Continuamos nosso passeio e registramos inúmeros outros momentos, como pode-se ver nas fotos abaixo.

As construções já resistiram a vários terremotos, como pode-se ver nesse muro.

A precisão da engenharia é impressionante. Reparem no ângulo idêntico das paredes das casas.

A visão da montanha Machu Picchu quando se está do lado da cidade mais próximo do Huayna Picchu.

Somos nozes.

A forma como os Incas construíam casas de dois andares.

Relógio de sol, usado para marcar a hora do dia e as estações do ano.

Detalhe do Huayna Picchu, que possui ruínas no seu topo (clique na foto para ampliar).

Em meio a jornada pela cidade Inca, houve um momento de brilhantismo nosso e registramos o incrível vídeo abaixo, digno de um Oscar:

Andamos durante toda a manhã e por um momento sentamos em uma área da cidade para descansarmos e curtirmos o ambiente. Cumprimos nossa missão de visitarmos a cidade.

Enquanto descansava, comecei a pensar no caminho de volta, e por um momento minha mente se voltou novamente para a estrada que pegaríamos em seguida. Nesse momento nunca foi tão claro pra mim o objetivo dessa grande aventura que eu estava vivendo. Estava ali no destino máximo da viagem, mas no entanto já pensava no que viria depois, nas estradas que iria pegar, no que iria ver e viver pela frente, nos países que ainda iria conhecer. Esse é o verdadeiro significado das viagens de moto. Pouco importa o destino pra onde se vai: praias, montanhas, países vizinhos, a cidade ao lado. O importante mesmo é o caminho percorrido, a estrada onde se passa, as pessoas que se conhece no caminho, o companheirismo através do qual estávamos ali reunidos e com o qual superamos as dificuldades. Nossa glória não estava em visitar um ponto turístico conhecido, e sim chegar a lugares distantes conhecendo cada metro que separa um local do outro.

Terminado o passeio, saímos da cidade sagrada e voltamos de ônibus para Águas Calientes, para pegarmos o trem de volta a Ollantaytambo. Na viagem de volta conhecemos um casal de australianos muito animados que viviam viajando pelo mundo. Ambos eram técnicos em raio-x, e a vida deles se resumia em a cada seis meses trabalhar cinco e passar um conhecendo dois ou três países diferentes. Um belo estilo de vida, eu diria.

Chegando na estação de Ollantaytambo, ainda tivemos tempo de experimentar o milho cozido do Peru. Os milhos aqui parecem mutantes e são gigantes se comparados com os nossos. O Rui comprou um pra experimentar, e era bem suculento e saboroso.

Depois disso pegamos o ônibus e voltamos a Cusco, para voltarmos ao albergue onde estávamos. Agora oficialmente chegávamos a metade de nossa aventura. Ainda teríamos pela frente dois países e muitos desertos pra atravessar, e conheceríamos o Pacífico. Depois de toda correria que foi até ali, decidimos que merecíamos uma folga antes de começar a segunda etapa, e passaríamos o dia seguinte tranquilos no albergue, sem passeios turísticos e sem maiores preocupações.

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7 Comentários
  1. “A vegetação bem distinta daquela vista nos Andes”…
    La É nos Andes so !

  2. ah ce entendeu carai. Diferente da parte mais alta ! hehe.

  3. OPa se eu mandar minha foto rola um cartão postal heim!!!!!

  4. Muito chiques as fotos! Só tem uns cara na frente atrapalhando.

  5. ficou doido o Inca Strike, hein!

  6. Cazita permalink

    Concordo muito com esse lance da importância do caminho na viagem. Pra mim o melhor de jeito de viajar é assim de mochilão, parando nos lugares e conhecendo. Um amigo meu tem uma frase boa sobre viagens assim: “não existe mapa do tesouro, o tesouro é o mapa”.

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