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Machu Picchu – 20º Dia – Santa Rosa (PER) – Puno (PER)

22/07/2011

Acordamos bem cedo nesse dia. Sair das cobertas era um sufoco: o frio era de arder a espinha.

Tomamos coragem e saímos do quarto (todos de segunda pele, claro) e uma surpresa: havia restos de GELO em cima das motos! As malas acumularam umidade durante a noite, e ali de manhã havia cristais de gelo sobre elas!

O Rui usou um recurso da XT que mostra a medida do sensor de temperatura da injeção eletrônica, pra gente ver quantos graus estava no momento. O sensor marcava -1 ! Fui pegar a câmera pra registrar mas ele subiu pra zero e ficou. Lembrando que nesse momento já havia sol.

Sensor de temperatura da XT marcava zero graus celsius.

Saímos da pensão e fomos ao restaurante do Alejandro pra tomar desayuno (café da manhã). O preço era módico: 3 soles (2 reais). Pedimos três desayunos e aguardamos.

O Alejandro voltou com 3 chás de coca e 6 pãezinhos parecidos com pão sírio, típico de lá, e voltou pra dentro. Na mesa tinha uma manteiguinha pra passar no pão. Ficamos meio decepcionados com o café: pão seco com manteiga e um chazinho. O Logan fazia uma cara de tristeza diante da refeição módica. Bom, mas por 3 soles não podíamos pedir muito.

Passados uns 5 minutos, o Alejandro volta a nossa mesa. Quando vimos suas mãos, ele estava carregando 3 mega pratos de comida dignos de qualquer PF que se preza. Cada prato trazia uma montanha de arroz, batatas a vontade e um pedaço generoso de carne de alpaca. Nós estranhamos aquilo ali já que não tínhamos pedido almoço, e com as caras espantadas, perguntamos pra ele:

– Desayuno ?????? – apontando para os pratos

– Desayuuuno !! – Respondia o Alejandro, com o sorriso no rosto, e colocou na mesa.

Caramba, isso que era café. Aliás, fosse café, almoço ou jantar, o cliente estaria muito bem servido. A cara do Logan mudou instantaneamente e parecia que ele tinha acabado de ganhar na loteria. Foi de longe o café da manhã mais generoso que tivemos na viagem, e o mais barato! Vimos como é fácil deixar um viajante feliz: basta encher um prato de comida.

O Desayuno !

Terminamos a refeição, pagamos os 3 soles e saímos animados. Mais um conselho pra viagens: se alimente bem durante a manhã. A disposição e o ânimo mudam totalmente.

Voltamo à pensão, acertamos a conta e pegamos as motos. Na saída parei num borracheiro no caminho para calibrar o pneu: minha roda continuava esvaziando durante a noite. A sina era achar um posto com ar disponível para calibrar, isso é raridade no Peru. Calibradores eletrônicos então, daqueles que marcam a pressão, nunca ouviram falar. O máximo que se podia exigir era uma mangueira com ar comprimido. E a bomba de ar manual do Rui já não tava mais dando conta do recado.

Saímos de Santa Rosa bem cedo, e estávamos a apenas 150 km de Puno. Continuamos a estrada em direção a Juliaca, uma cidade relativamente grande, que é caminho para Puno.

Chegamos em Juliaca e fomos adentrando na cidade. A estrada não passava por fora e tínhamos que atravessar o centro da cidade pra continuar. Não foi uma tarefa fácil: Juliaca é uma zona de cidade. Ruas pequenas, desorganizadas, várias delas de terra, camelôs no meio da rua, tuc tuc’s e um mundaréu de gente correndo pra todo lado.  A cena lembrava muito aquelas cidades chinesas bem pobres que se vê na TV. Tivemos dificuldade pra achar o caminho, paramos pra perguntar diversas vezes, tivemos dúvidas se devíamos passar ou não por certas ruas muito mocadas.. mas conseguimos passar ilesos e continuamos para Puno.

Chegamos em Puno ainda na parte da manhã. A visão de um lago gigante de águas do mais puro azul em meio a montanhas é fantástica. Paramos pra algumas fotos logo na entrada.

A primeira visão do Titicaca

Buell picture

Quem tava tirando a foto? hehe

Entramos em Puno e fomos direto ao The Point Hostel: Puno. Um albergue da mesma rede que nos abrigou em Cusco. Depois da ótima experiência lá, procuramos o The Point em todos os lugares onde passamos. Chegamos no albergue ainda de manhã, e perguntamos pra atendente se era possível pegarmos o passeio no Titicaca ainda naquele dia. Ela disse que isso era fácil e ligou pra uma agência para reservar pra nós.

Prefeitura de Puno.

Saímos do albergue e fomos dar uma volta pra conhecer o centro de Puno e arrumar um restaurante pra almoçar. A cidade não tem nenhum atrativo turístico em especial tirando o lago, então fomos direto ao restaurante. Novamente pedimos pratos a base de truta, mas dessa vez o Logan quis arriscar mais um prato típico: o Ceviche. Trata-se de um truta crua com salada de alho, pimenta, entre outras coisas. Ao contrário do Cuy, o Ceviche era muito bom.

Depois do almoço fomos fazer hora em uma praça em frente ao restaurante, e ficamos lá até dar a hora de irmos para o passeio no lago. A van nos pegaria na porta do albergue.

Na praça fazendo hora

Aproveitamos o tempo livre pra andar pelo comércio da cidade, sacar dinheiro, e falar com familiares. Eu ainda estava resolvendo o problema da Carta de Poder que tinha que providenciar para conseguir entrar no Chile com a minha moto, e acompanhava com minha família o processo. Um dia antes eles tinham enviado o documento para o The Point Hostel de Arequipa, que seria nossa próxima cidade, e acompanhávamos o envio.

Voltamos ao albergue na hora marcada e pegamos a van que nos levaria ao passeio no lago. Ela nos levou até um cais onde vários barcos turísticos se revesavam nos passeios.

Entrada para os barcos.

O passeio que faríamos anda pelo lago até a região onde ficam as ilhas de Uros, que são ilhas flutuantes artificiais construídas com palha e uma raiz de planta leve como isopor, onde famílias moram até hoje. No trajeto já era possível ver algumas estruturas.

Indo para as Islas Flotantes, no teto do barco.

Faz o jóia aí, faz !

Finalmente chegamos ao local onde ficam as ilhas. Várias placas saúdam os turistas.

Chegando ao local

O vídeo abaixo mostra nossa chegada nas ilhas:

O passeio estava programado para parar em uma ilha específica. Geralmente cada ilha abriga uma família inteira. Enquanto o barco nos levava até lá fomos observando as demais ilhas.

Mais um momento National Geographic.

Finalmente chegamos na ilha onde desceríamos. Os habitantes dela já estavam preparados pra nos receberem.

A ilha onde descemos

Depois de chegarmos na ilha, os guias e os habitantes vão se revesando pra nos apresentar tudo o que tem pra se ver lá. As famílias dessas ilhas hoje parecem viver apenas para receber os turistas.

As casas de palha. Percebe-se no canto direito superior da foto que a tecnologia aos poucos vai chegando por aqui.

Criadouro de peixes no meio da ilha.

As casas da familia.

Dentro de uma casa.

Em um momento o patriarca da família e o guia chamaram os turistas pra mostrarem a profundidade do lago. Ele abriu um buraco no chão que dava acesso a água embaixo, jogou uma pedra com um barbante amarrado e foi puxando para medir. Dava algo em torno de 15 metros, como pode-se ver no vídeo:

Já era fim do dia e também pudemos apreciar um belo pôr do sol.

Pôr do sol.

Depois de conhecer a ilha os habitantes nos convidam a dar uma volta num barco típico deles, feito de palha, como o que aparece na foto “Natiotal Geographic” lá em cima. Claro que eles pedem uma pequena contribuição de 5 soles pra dar a voltinha.

No barco do sujeito.

Depois da volta no barco de palha, voltamos ao nosso barco turístico e rumamos de volta a puno. Retornamos ao albergue e tínhamos o resto do dia de folga. Fomos ao bar do hostel para ver se era tão bom quanto o de Cusco.

O bar não era um Horny Llama, mas dava pro gasto. Lá, conhecemos um israelense, de nome Itamar. Ele estava viajando o mundo, e nas cidades onde passava, procurava trabalho como marinheiro pra se sustentar. Quando soube que éramos do Brasil ficou nos perguntando se achávamos que ele poderia arrumar trabalho de marinheiro no Rio.

Nós e o marinheiro israelense !

Depois do bar saímos com o Itamar pra comer alguma coisa. Fomos novamente na praça e entramos em um restaurante que parecia uma caverna antiga, bem estiloso. Jantamos bem e voltamos ao albergue pra dormir. No dia seguinte, partiríamos para Arequipa, pelo roteiro a última cidade antes do Chile !

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2 Comentários
  1. Muito fina a viagem moçada! No aguardo dos próximos capítulos! E vocês vão até o Oiapoque em Agosto? Que tal estender até o mítico Suriname?

    • Falaí Arbex! Agosto vamo no Oiapoque! Cara Suriname é foda. Apesar de na França ser fácil entrar, pra entrar na Guiana Francesa tem que preencher um formulário quilométrico e pedir visto, mó burocrático, aí desistimos.

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