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Machu Picchu – 21º Dia – Puno (PER) – Arequipa (PER)

25/07/2011

Acordamos não muito cedo no albergue, arrumamos as malas e saímos pra Arequipa, não sem antes pedir às atendentes que reservassem pra nós uma vaga no albergue de Arequipa. Apesar de termos saído quase na hora do almoço, Arequipa estava a apenas 325 km de Puno, portanto a viagem deveria ser tranquila.

Na saída de Puno, tivemos uma pequena surpresinha. Uma blitz policial mandou que parássemos na beira da estrada. Paramos, desligamos e descemos das motos. Os policiais chegaram pedindo os documentos, nossos e das motos. Cada um foi “recebido” por um policial diferente. Pela animação dos policiais ao nos pararem, já era previsto o que estava por vir.

Entreguei toda a papelada que vinha trazendo a viagem inteira: documento da moto, passaporte, registro de entrada na imigração, registro de entrada na aduana, comprovante de vacinação de febre amarela, passaporte, carteira de habilitação, etc. A cada documento que o policial conferia e via que estava correto, ele nitidamente fazia uma cara de decepção. Estava ali procurando por algo que não estivesse regular, qualquer coisa…

Até que, um dos policiais que estavam verificando os documentos praticamente gritou de alegria pros demais: “SOAT! No tiene SOAT!”. Todos eles riram de alegria e ficaram mostrando nossos documentos uns pros outros. Aí veio a ladainha. Vieram explicar pra nós que pra andar ali no Peru, era obrigatório pagar o SOAT, que é o seguro obrigatório do país deles.

Só que, era impossível pra nós saber se o que eles diziam era verdade. O tal do SOAT realmente existe, mas se ele é obrigatório pra motos ou pra veículos de fora que estão só passando, ninguém sabe. Hoje mesmo enquanto escrevo esse texto dei uma pesquisada novamente, e não achei nada. O próprio alfandegário que autorizou a entrada das motos no país não mencionou absolutamente nada. Então ficamos nessa situação desagradável: sem conhecer as leis do local, abordados por autoridades e mal falando a língua deles.

Pela conversinha mole do policial, eles estavam tentando explicar pra gente que “normalmente” teriam que apreender as motos até que apresentássemos o SOAT pago, e que inclusive não havia lugar em Puno onde pudéssemos pagar. Bem conveniente. Depois um deles, o mais conversado da turma, veio falando mais baixo “como vamos resolver?” e começou a negociação de quanto íamos pagar de propina pra eles nos deixarem passar.

Eles sugeriram a quantia de 100 soles por moto. Nenhum de nós contestou. Pegamos o dinheiro, e na hora de passar, um fato interessante: nenhum dos policiais tocou nas notas. Eles usaram nossos documentos pra receber o dinheiro, levaram pra um canto, e voltaram devolvendo os documentos. Ficamos curiosos pra saber se o fato de não tocar na nota livra a cara deles em caso de denúncia.

Pagamos e fomos embora, meio putos. Esse é o tipo de situação onde você fica completamente vulnerável: em outro país, sem conhecer as leis, sem falar a língua, sem conhecer o lugar onde se está. Por mais honesto que o viajante seja, o que se há de fazer? Ficar vagando de ônibus de uma cidade pra outra pra pagar o tal seguro, enquanto suas malas e sua moto ficam presas numa delegacia peruana, e atrasar a viagem em uma semana? Sem chance. Por isso os caras fazem aquela cara de alegria quando conseguem parar gente de fora. É grana certa. Depois até chegamos a olhar o tal do SOAT: custava algo em torno de 150 dólares. Fizemos as contas e percebemos que não valia a pena, melhor pagar as propinas mesmo, até porque ter o SOAT muito provavelmente não impediria que os policiais arrumassem outras desculpas para cobrar a “taxa”.

Continuamos o caminho e pegamos a estrada. Pra ir a Arequipa a partir de Puno, é necessário voltar um pouco na estrada em que viemos. Na volta, tivemos que novamente passar por Juliaca, a china peruana. Mais uma vez saímos de lá ilesos e fomos em direção a Arequipa.

Na estrada, algumas gratas surpresas. A paisagem é muito bonita e ainda avistamos mais alguns lagos menores, beeem azuis.

Capa de calendário BMW

Na parada para as fotos aproveitei pra tirar as fotos das bagagens da Buell. Ao longo da viagem a bagagem que se leva vai mudando, adaptando a necessidade.

A Buell com as bagagens montadas. Uma mala de banco (40L) e dois alforges laterais (20L cada), que também servem de plateleiras, cheios de bugiganga amarradas em cima.

Lado esquerdo: galão de gasolina, tampico (galão de água), biscoitos, porta-óculos, flanela limpa.

Lado direito: saco de dormir, água (2x), óleo de motor, red bull, flanela suja.

Fomos seguindo pela estrada, e em um momento foi possível registrar o frio que fazia: havia veios de gelo descendo pelas encostas.

Um veio de gelo que avistamos na estrada. Isso com sol a pino !

A medidas que vamos nos aproximanto de Arequipa, a paisagem vai desertificando aos poucos. As plantas baixas que se vê na foto acima vão dando lugar a pequenos arbustos, e a areia vai aparecendo.

A paisagem vai ficando mais deserta a medida que rumamos ao sul.

Nesse trecho mais desértico, os ventos que pegamos eram impressionantes. Em alguns momentos as motos tinham que andar inclinadas para manter a trajetória em linha reta. Quando paramos pra tirar fotos, era possível segurar a jaqueta aberta e brincar com o vento, inclinando pra frente sem cair.

Chegamos a Arequipa. A cidade impressiona, do lado positivo: é uma cidade grande bem moderna e organizada para os padrões peruanos. Até os carros que se vê na rua são mais novos, não tem aquela montoeira de gente de Juliaca. Foi de longe a melhor cidade peruana que conhecemos do ponto de vista de infra-estrutura. Só o trânsito de veículos que ainda era meio caótico.

Chegamos ao albergue, o The Point Hostel de Arequipa, ainda de dia. A primeira coisa que perguntei quando cheguei foi se o documento que minha família havia enviado pra lá tinha chegado, a tal Carta de Poder que tornaria possível que eu entrasse no Chile. Ainda não tinha chegado. E o dia seguinte era sábado e o correio peruano só funcionaria até meio dia. Se não chegasse, só na segunda, e seriam dois dias valiosos de atraso. Ou mais. Estava preso em Arequipa até que o tal documento chegasse, já que no dia seguinte seguiríamos pro Chile.

Sem muito o que fazer fomos curtir o albergue. Apesar de não ser como o de Cusco, era bem maior e melhor que o de Puno. Só nos restava aproveitar o bar pra comer e beber, e depois ir dormir. Mas antes, aconteceu uma história muito interessante, muito contada em nossas rodas de amigos, praticamente uma lenda urbana, e que deu origem até mesmo a um “novo” drink: o Indiana Jones.

A cada albergue que passamos, ficamos com uma pulseira de identificação do albergue. Essas pulseiras davam direito a um drink caso o cliente se hospedasse em outro albergue da mesma rede. Tínhamos 2 pulseiras cada um pra gastar, e o albergue de Arequipa era nossa última chance de fazê-lo.

Chegamos no bar do albergue e fomos atendidos por um israelense, que também viajava o mundo, com dreads no cabelo, bem animado e conversado. No balcão do bar se lia “If you are a woman and the barmam has dreads, kiss him.”. Vimos os drinks disponívels e começamos pedindo um com suco de laranja ou algo parecido.

O drink não era lá essas coisas. Depois dele, o Rui deu a idéia de experimentar Gin com Tônica. É um fato que gin é terrível e tônica é pior ainda, mas alguém algum dia inventou esse drink por algum motivo, então resolvemos, eu e ele, pedir um pra cada. O Logan não quis arriscar e ficou na cerveja.

Pra nossa imensa surpresa, o tal gin tônica é bom mesmo! Impressionante como juntando duas coisas ruins dá pra fazer uma boa. O Logan não queria experimentar e ficávamos insistindo, que era bom e etc. Numa dessas o Rui mandou:

– Cara, sabe o que que isso me lembra?

– O que? – respondi.

– Indiana Jones !

– …… – eu e o Logan ficamos ali com aquela cara de paisagem sem entender…

– E sabe por que que isso lembra Inidia Jones? – completou o Rui – porque não tem absolutamente NADA a ver com Indiana Jones.

– Hahaha acho que você queria dizer James Bond !

E desde então nasce a lenda. Portanto, se algum dia lhe oferecerem um Indiana Jones, não se preocupe, não passa de um gin tônica!

O dia que nasceu o drink Indiana Jones.

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2 Comentários
  1. E no final no diálogo do Indiana Jones, que eu realmente queria dizer James Bond, eu conclui que não tinha nada a ver com James Bond também, que na verdade costuma beber é Martini.

  2. Dry Martini, pra ser exata…

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