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Machu Picchu – 23º Dia – Tacna (PER) – Iquique (CHI)

02/08/2011

Acordamos todos bem cedo e saí antes do pessoal pra calibrar. Nesse dia tive a brilhante idéia de jogar mais um daqueles reparos de pneu em spray pra dentro da roda (já tinha usado um) pra ver se ajudava a vazar menos, e realmente ele ajudou.

De qualquer forma, era necessário calibrar o restante. Nas outras cidades do Peru achar um posto com calibrador disponível já era um desafio por si só. Mas Tacna bateu o recorde: tive que passar em nada menos que SETE postos de gasolina até achar um calibrador que funcionasse. Ou os calibradores não funcionavam, ou simplesmente não existiam. E por “calibradores” leia-se “mangueiras com ar”, já que é só isso que existe por lá.

Saímos de Tacna em direção à fronteira. Estávamos curiosos pra saber como era a fronteira Peru / Chile, uma vez que os dois países parecem inimigos declarados. Não era nada raro ver notícias na TV peruana falando de ataques de peruanos contra chilenos e vice-versa. Parece que o Chile nutre uma inimizade secular com Peru e Bolívia, desde que tomou as terras de ambos durante a Guerra do Pacífico. O norte do Deserto do Atacama, hoje parte do Chile, pertenceu ao Peru no passado.

Chegamos na fronteira peruana, já com a paisagem bem desértica. Era bem diferente da fronteira do Peru com o Brasil. Uma cerca enorme se estendia até perder de vista, e próximo aos postos de imigração e aduana haviam diversas guaritas de polícia. A estrada tinha até mesmo aqueles fincos no chão feitos pra furar os pneus de veículos que tentem furar o bloqueio da cancela.

Fomos aos procedimentos para deixar o Peru. Depois da burocracia de passar pela aduana e imigração, tivemos os passaportes carimbados e agora estávamos oficialmente fora do país. Continuamos a estrada, e só bem mais a frente vimos os postos de imigração chilenos, igualmente fortificados. É estranho uma situação onde se sai de um país mas não se entra em outro. Afinal, em terra de quem estávamos andando naquele momento? E o que aconteceria se o Chile não nos deixasse passar?

Bom, felizmente nada disso aconteceu, e passamos tranquilamente pela fronteira chilena. Os oficiais chilenos, os Carabineros, são famosos por sua honestidade e “incorruptibilidade”, portanto o único problema que poderíamos ter era o fato de eu tentar passar com um veículo que não estava no meu nome, problema que estava resolvido pela posse da Carta de Poder que minha família conseguiu no consulado chileno de BH. E pra minha surpresa, ao ver os documentos, o oficial da guarita só perguntou “Carta de Poder?”, eu respondi “Si” e bastou a minha palavra para ele me deixar passar.

Entramos no Chile satisfeitos! Eu e o Logan pelo menos, estávamos fartos do país peruano. Depois de todos os “paros”, da confusão em Juliaca, dos policiais corruptos, da dificuldade em achar uma máquina de cartão ou um caixa eletrônico, até mesmo a dificuldade de se achar um posto pra calibrar, tínhamos ali uma sensação de alívio em entrar em um país mais desenvolvido, com status de primeiro mundo. Pelo menos a expectativa é que agora as coisas seriam muito mais fáceis do que estavam sendo até então. Além do que, era um marco na nossa viagem, representando mais uma fase superada com sucesso.

Andamos mais um pouco depois da fronteira e chegamos a Arica, nossa primeira cidade chilena. Arica é uma cidade litorânea pequena no extremo norte do chile. Entramos na cidade e rumamos a leste, em direção ao oceano, e chegamos na praia de Arica!

Chegando em Arica! Agora era a vez do Chile nos receber!

A primeira coisa que fizemos foi andar na praia pra ver o Pacífico de perto! É verdade que mar é mar, e realmente não muda muita coisa, mas para todos nós era uma novidade. O frio não era nada convidativo, mas tivemos que experimentar a água pra completar a experiência:

Nós e o Pacífico !

Andamos mais um pouco em Arica e paramos em um restaurante na beira da praia para almoçarmos. As duas fronteiras tomaram a manhã inteira e ainda queríamos chegar em Iquique, mas deu tempo de curtir o almoço. Na hora de pagar a conta, uma surpresa: o peso chileno é uma moeda bastante desvalorizada, e acaba que um simples almoço fica em torno de 50.000 pesos. Sorte que aqui as máquinas de cartão de crédito já existem!

Sabíamos que a estrada que pegaríamos a seguir era deficiente de postos de gasolina, portanto ao abastecermos antes de sair de Arica também abastecemos os galões reservas. Eu e o Logan tínhamos um galão de 5 litros cada um, e o Rui tinha um de 10, e seguimos viagem em meio ao deserto.

Na verdade a estrada não é só deficiente em postos de gasolina: não tem cidades, lanchonetes, casas, nem nenhum sinal de civilização fora o asfalto e os carros. É deserto pra todo lado. E além disso ela se afastava consideravelmente do oceano, portanto a paisagem voltava a ser somente o deserto. Não sei como conseguiram travar uma guerra por essa terra, não tem absolutamente nada lá. Claro que para nós era um show a parte! Uma paisagem dessas que não se vê nem em filmes de faroeste. A diferença daqui pro sul do Peru é que o deserto não é completamente plano: é composto por dunas gigantescas de areia e cascalho, nas quais a estrada sobe e desce.

"Dunas"

Poucos quilômetros depois de sair da cidade fomos parados por um policial rodoviário, nosso primeiro contato com um Carabinero. Assim como fizemos quando fomos parados pelos peruanos, começamos a tirar toda aquela extensa documentação das bagagens. Pra nossa surpresa, o policial só queria ver nossa carteira de habilitação brasileira. Mostramos a carteira e ele nos desejou boa viagem e nos deixou ir. Nessa hora, aproveitamos para fotografar uma ocasião rara: uma nuvem pairava inerte bem acima de uma imensa duna de areia.

Uma solitária nuvem no deserto.

Andamos cerca de 200 km desde Arica com pouquíssimo sinal de civilização. Paramos em uma parte do trajeto onde havia uma espécie de mirante para observar a paisagem, onde aproveitamos para abastecer as motos dos galões reservas.

Deserto do Atacama !

Fomos chegando na região de Iquique, e junto a noite ia caindo. A temperatura, que não era alta durante o dia, despencou de uma vez quando o sol se escondeu. Já em Alto Hospício, uma cidade ao lado de Iquique, fomos recebidos por uma névoa rala, provavelmente formada pela brisa do mar já que estávamos novamente perto do oceano.

Finalmente chegamos em nosso destino do dia. Iquique é uma cidade muito bonita, litorânea, com uma bela orla. Depois de uma volta completa pela cidade, voltamos pela orla e encontramos um pequeno hotel para passarmos a noite.

Terminamos nosso primeiro dia no Chile num pequeno restaurante próximo ao hotel, cansados mas felizes por mais essa etapa que estávamos vivendo de nossa aventura.

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From → Machu Picchu

One Comment
  1. Finalmente um dia dentro do planejamento e com estrada tranquila! 😀

    Bacana o Pacífico e o deserto no Chile. Deve ter sido um trecho de estrada sensacional!

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