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Machu Picchu – 24º Dia – Iquique (CHI) – San Pedro de Atacama (CHI)

02/08/2011

Saímos cedo depois de acertar a conta do hotel. Como todos os demais dias, saímos em direção a um posto de gasolina.

Esse dia, no entanto, me reservava uma grata surpresa: calibradores com manômetro !! Sim ! No Chile os postos são tão avançados que tem até mesmo calibradores com manômetros! Ou pelo menos essa era a impressão que eu tive ao ver um, depois de dias vagando pelo Peru com dificuldade de encontrar uma mangueirinha de ar comprimido. Ainda não eram eletrônicos, mas o importante é que funcionavam!

Saímos de Iquique e rumamos em direção a Tocopilla. Nesse trecho do Chile existem duas opções para se ir ao sul: pela Ruta 5, que é a estrada principal do país que o atravessa de norte a sul, e era de onde viemos, ou pela Ruta 1, uma estrada que margeia o Pacífico. Claro que optamos em ir pela rota litorânea até Tocopilla, de onde sairíamos das estradas principais para ir em direção a San Pedro do Atacama.

A estrada que pegamos era uma visão única: uma montanha de areia e cascalho à esquerda, onde a estrada se sustenta, e o oceano a direita. Nesse ponto, a impressão que se tem é que o deserto simplesmente desemboca no oceano. Não há praias, nem nada, simplesmente um monte de areia e pedras que desce direto para o encontro do mar.

Essa era a visão em boa parte da estrada. A montanha de pedra e areia "desemboca" direto no oceano, sem nada que determine um limite entre os dois.

Em parte do caminho fomos privilegiados e pudemos observar uma imensidão de pássaros pretos migrando, voando bem rentes ao oceano.

A viagem corria tranquila até que tivemos uma ingrata surpresa. O Rui foi parando a moto vagarosamente no acostamento. Paramos atrás dele só para ouvir a má notícia: a gasolina havia acabado! E pra piorar, não havíamos enchido os galões reservas, devido ao trecho não ser muito longo.

Durante nossa aventura, nossas motos variaram bastante o consumo de combustível. Porém, em geral, o consumo diminuía em comparação com os trechos percorridos no Brasil. Não é possível dizer ao certo o que levava a essa variação, mas possivelmente as principais variáveis eram a qualidade da gasolina e a altitude. A capacidade da injeção eletrônica de se adaptar a essas variações também contribui. Porém, ao contrário do que se possa pensar de início, nos trechos de maior altitude as motos acabavam consumindo menos. Era um fato que elas ficavam bem mais fracas que o normal, mas em geral o consumo também diminuía. A Buell chegou a fazer 27 km/L em um trecho no Peru, sendo a média no Brasil de 21 km/L, e a campeã BMW chegou a fazer impressionantes 32 km/L no mesmo trecho, ante os 25 km/L que fazia normalmente no Brasil.

A XT sempre foi a mais gastadeira de nossas montarias. Mantinha no Brasil uma média de 18 km/L, e nos trechos de maior autonomia no Peru chegava aos 23. Porém, nenhum de nós esperava que a baixa altitude da estrada (nível do mar) e a gasolina boa do Chile fossem ter o efeito inverso do esperado: as motos passaram a consumir mais nesse trecho. Pode ser efeito das injeções estarem calibradas para altitudes e gasolinas diferentes, mas o fato é que nos pegou de surpresa. Pelos cálculos, a XT fez menos de 15 km /L, e Buell e BMW também aumentaram o consumo proporcionalmente. Isso fez a autonomia do Rui cair drasticamente e não foi possível completar o trecho de 230 km entre Iquique e Tocopilla.

Bom, como a BMW era nossa campeã de autonomia, a solução foi roubar a gasolina do tanque do Logan para que a XT continuasse o caminho.

Retirando...

Adicionando....

Continuamos a viagem para descobrir que havíamos parado a apenas 10 km de Tocopilla. Paramos para almoçar e abastecer. Desse dia em diante, o Rui fez questão de andar com seu galão reserva preenchido com metade da capacidade, para emergências.

Saímos de Tocopilla e pegamos a estrada secundária para atravessar o Chile lateralmente e irmos a San Pedro do Atacama. A medida que nos afastávamos do mar o deserto ia ficando cada vez mais frio e seco. Até mesmo a areia ia sumindo e prevaleciam as pedras e cascalhos, em planícies a perder de vista, com direito a pequenos morros ao fundo. Era impossível dizer a qual distância esses morros estavam, o que criava uma certa ilusão de ótica com o horizonte.

Logan in the middle of nowhere

Rui taking pictures in the middle of nowhere.

Continuamos nosso trajeto até chegar em San Pedro de Atacama, a famosa cidade turística do Atacama. Porém, a cidade é bem menos impressionante do que se espera: é mais uma vila minúscula de ruas de terra em meio ao deserto. Mas tem lá seu charme. As atrações turísticas na verdade ficam todas próximas à San Pedro, e a cidade é mais um porto seguro para os turistas enquanto visitam a região. Infelizmente não teríamos tempo para aproveitar as atrações.

Fomos curtir a cidade a noite. O frio era bem intenso, mas arrumamos um aconchegante bar com um baita aquecedor no centro. Também fomos dar uma olhada nos artesanatos disponíveis.

Depois disso, restava só ir dormir. No dia seguinte atravessaríamos para a Argentina, completando mais uma etapa do nosso trajeto.

O frio me faz passar cada uma....

From → Machu Picchu

3 Comentários
  1. Ótima narrativa, já estou fazendo meu roteiro, só que pelo que estou vendo está um pouco diferente, pois planejo ir até Santiago e voltar pela cordilheira em Mendoza.

  2. Ramon Lopes de Lima Mendes permalink

    Marcelo, vc vai partir de onde o seu roteiro?

  3. pendejo permalink

    Eu acho que a conclusão certa é de que a gasolina é melhor no Perú do que na merda do ….. e do Chile, bando de retardados… mineiros da capitar uai só….

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