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As Máquinas!

05/09/2011

Inaugurando a categoria Moto Aventura, começarei falando de um ponto chave em qualquer viagem dessas: nossas amadas máquinas, a moto!

Motos adequada para moto aventura são aquelas adequadas para viagens longas em terrenos desconhecidos. Passar 8, 10, 12 horas por dia em cima de uma moto em estradas nunca antes vistas pede uma série de características específicas para esse fim.

Claro que nada impede o aventureiro de usar qualquer tipo de moto para viajar. Existem muitos exemplos por aí de pessoas que dão a volta ao mundo em cima de pequenas motos de 125cc, ou até menos. Acredito que tais pessoas merecem até um mérito maior por tal. Mas esse post se dedica aqueles que buscam por um veículo mais adequado para essas viagens.

Abaixo seguem algumas características que devem ser observadas ao se buscar uma moto aventureira.

Conforto

Talvez o item mais importantes para o viajante. Durante uma longa viagem, se passam incontáveis horas em cima da moto, por dias seguidos. Uma viagem desconfortável rapidamente se torna desagradável, afetando o bom humor do motociclista, causando dores e possivelmente outros problemas, e transformando uma prazerosa viagem numa tortura infernal. O conforto passa por diversos itens da moto.

A começar da posição de pilotagem. O motociclista deve se posicionar naturalmente na sua motocicleta, de forma a não forçar nenhuma articulação, não fazer forças desnecessárias e não levar pancadas constantes. A coluna vertebral deve viajar numa posição relativamente reta, sem curvar para frente, evitando dores nas costas. Os braços não devem fazer força constantemente para segurar o corpo, como nas superesportivas, e também não devem ficar totalmente esticados, e as pernas idem. Uma posição adequada é parecida com aquelas que se aprende em aulas de ergonomia para usar computadores: pernas arqueadas como numa cadeira, braços levemente estendidos a frente, tronco reto, cabeça erguida.

Uma boa posição de pilotagem não força nenhuma parte do corpo, mantêm a coluna reta, cabeça erguida, pernas arqueadas e braços levemente estendidos.

Obviamente é quase impossível encontrar uma moto com a posição perfeita para cada pessoa, uma vez que as motos não são feitas sob medida para cada um. Mas é possível melhorar algumas coisas. Quase todas as motos permitem o ajuste do guidon para frente e pra trás, e algumas tem ajustes de pedaleiras. Trocar o banco por um mais alto ou mais baixo também pode ajudar.

Por mais que se procure uma moto com a posição mais adequada, algumas pequenas dores são inevitáveis durante grandes viagens. Motociclistas mais calejados acabam se acostumando com essas pequenas dores e deixam de senti-las depois de algum tempo. É possível também fazer alongamentos e exercícios para melhorar o local da dor. Não é recomendável o uso de medicamentos para essas dores, já que seriam necessárias doses constantes, podendo causar efeitos colaterais.

Um banco macio e confortável também é essencial para garantir uma boa viagem. Em motos com suspensões muito curtas, como as custom, os bancos são ainda mais importantes para absorver parte dos impactos que seriam depositados na coluna do viajante. Algumas dessas motos são equipadas com bancos que são verdadeiras poltronas, com direito a encosto de braço e som surround!

O banco deve ser confortável e macio.

Além da maciez, deve-se observar a forma e a altura do banco. Bancos muito estreitos tendem a concentrar a massa do motociclista em uma pequena área do seu traseiro, causando dores nessas áreas. Já um banco muito largo pode exigir que as pernas fiquem abertas demais, causando dores nas articulações. A altura do banco também é um ponto importante. O banco muito alto traz dificuldades para o motociclista em subir e descer da moto, causando quedas, e um banco muito baixo pode deixar as pernas arqueadas demais e os braços apontados pra cima.

Outros itens que também afetam o conforto são a suspensão, a aerodinâmica e o motor, que serão discutidos em seus próprios tópicos abaixo.

Suspensão

A suspensão desempenha um papel essencial para o motociclista. Estradas desconhecidas muitas vezes guardam surpresas desagradáveis, como buracos, quebras molas desavisados, elevações, remendos no asfalto, obras. Além disso, o moto aventureiro deve estar preparado para enfrentar desvios e estradas despavimentadas, mesmo que não fosse essa sua intenção inicial.

A suspensão é o elemento principal na moto para enfrentar essas intempéries da estrada. Via de regra, quanto maior o curso da suspensão, melhor a moto se sairá perante estradas ruins. Uma boa suspensão absorverá os defeitos da estrada e manterá a trajetória da moto pouco alterada, além de poupar o motociclista dos impactos. Isso também afeta diretamente o conforto ao viajar.

Mas não só de curso de suspensão vive um motociclista. Várias motos permitem diversos ajustes na suspensão, que o motociclista deve aprender a usar para tirar o melhor da sua montaria. Praticamente todas as motos permitem pelo menos o ajuste da pré-carga traseira, que deve ser regulada sempre que o peso total carregado mudar significantemente. Suspensões mais completas permitem também o ajuste de compressão e retorno dianteiros e traseiros. Apesar de parecer complicado no início, o ajuste na suspensão é essencial, trazendo melhoras significativas, como maior capacidade de carga, melhor conforto, melhores curvas e reações mais rápidas a obstáculos. Suspensões mais esportivas (ou reguladas para tal) deixam a moto mais ágil e capaz de reagir a obstáculos com rapidez. Suspensões mais “trails” deixam a moto mais apta a passar por cima de obstáculos.

Outro ponto importante relacionado a suspensão é o vão livre do solo, a altura que a motocicleta tem entre o solo e sua parte mais baixa (geralmente o peito de aço ou o cano de escapamento). Também via de regra, quanto maior o vão livre, melhor. Uma moto muito baixa tende a bater facilmente em ondulações e quebra-molas, e não consegue enfrentar um pequeno degrau de meio fio caso seja necessário, além de se tornar inviável em estradas de terra. Além disso quando a moto é baixa isso também significa que seu curso de suspensão é limitado.

Uma boa suspensão deve ter um curso longo o suficiente para amortecer os perigos da pista. Não por acaso as motos de trilha tem suspensão com curso bastante longo.

Durabilidade e Reparabilidade

Algo que é fato durante uma viagem longa, principalmente em grupo: alguma coisa irá quebrar. Uma corrente arrebentada, um parafuso, um suporte de baú quebrado, um retentor estourado, uma lanterna quebrada, são inúmeros os problemas que podem acontecer durante uma viagem. Basta pensar o seguinte: em uma viagem de 10 mil km, por exemplo, se anda o equivalente a um ano inteiro de uso na cidade. A possibilidade de algum item quebrar nesse tempo é muito grande.

Portanto, uma característica extremamente desejada das motos aventureiras é que sejam duráveis e quebrem pouco. No entanto, ao contrário de outros items, esse não está estampado na ficha técnica da moto. Qualquer marca irá garantir que seu produto é o mais durável entre os concorrentes.

Nesse caso, o que se deve fazer é pesquisar em fórums de usuários a durabilidade da moto que se pretende adquirir. Verificar além disso quais são os defeitos mais comuns e como repará-los, além dos custos envolvidos.

Outra característica igualmente importante é a reparabilidade da moto, ou a facilidade com a qual se pode reparar um defeito. Nesse item devem ser levados em conta rede de concessionárias, raridade da moto (quanto mais rara, pior), facilidade de se encontrar peças no mercado paralelo, e o preço das mesmas. Motos com mecânica mais simples ganham pontos nesse quesito. Aquele ABS com ESD e controle de tração pode parecer fantástico a primeira vista, mas convém pesquisar se são itens confiáveis que não trarão defeitos durante longas viagens.

Motos mais simples tem vantagens na hora do reparo!

Desempenho

Geralmente o item mais cobiçado pelos motociclistas, o desempenho também presta um papel importante ao moto aventureiro. Mas não estamos falando aqui somente de potência. Outros aspectos do desempenho da moto são essenciais.

A começar da autonomia. Uma boa moto aventureira deve ter uma boa autonomia. Estradas desconhecidas podem trazer trechos bem longos sem postos de gasolina e sem cidades no caminho. Além da possibilidade do único posto disponível estar fechado ou sem gasolina pra vender, ou não aceitar cartão de crédito bem na hora que o dinheiro em espécie acabou.

A autonomia é uma relação entre consumo X capacidade do tanque. O consumo varia muito conforme a gasolina utilizada, a tocada do motociclista e a altitude. Em velocidade de cruzeiro, um bom consumo deve ficar acima de 17, 18 km/L, sendo de 20 km/L para cima um ótimo consumo. Já uma boa capacidade de tanque começa com pelo menos 15 L. Uma moto que faça 20 km/L com 15 L de tanque tem uma autonomia de 300 km, o que é uma ótima medida de referência.

Os freios desempenham um importantíssimo aspecto de segurança. Geralmente motos mais potentes também trazem freios melhores. O freio a disco pelo menos na roda dianteira é essencial. O motociclista deve manter o sistema sempre em condições perfeitas de uso.

E chegamos finalmente ao motor. Quanto maior e mais potente o motor, mais prazerosa e segura será a viagem. A parte de segurança obviamente não está relacionada à velocidade que a moto é capaz de desenvolver, mas sim ao fato de existir uma reserva de potência para ser usada em momentos oportunos, como ultrapassagens. Cada km/h a mais em uma ultrapassagem traz uma redução essencial no tempo necessário para completá-la.

Mas devemos observar que existem certos limites. Motores extremamente potentes e esportivos feitos para correr em pistas podem ser bastante desconfortáveis para viajar, exigindo do motociclista uma pilotagem mais estressante, e motores muito grandes tornam a moto muito pesada.

Um bom motor deve ainda disponibilizar uma quantidade satisfatória de torque em baixas rotações. Um motor com pouco torque em baixa rotação exigirá uma quantidade maior de trocas de marcha durante a pilotagem.

No fim das contas não é preciso tanta potência para se viajar bem. Qualquer motor com 50 cv já é mais que suficiente para proporcionar uma viagem prazerosa e confortável.

Não convém exagerar no tamanho do motor.

Rodas e Pneus

O tipo de pneu que se usa na moto deve ser compatível com o tipo de terreno que se pretende enfrentar. Pneus de asfalto, mais lisos, são ótimos para boas estradas pavimentadas. Pneus mais “cravudos” tem um ótimo desempenho na terra, e os pneus de uso misto, “todo terreno”, tentam trazer o melhor dos dois mundos. Uma moto que tenha uma ampla gama de pneus disponíveis ganha pontos nesse quesito. Pneus muito largos, como os 180 por exemplo, geralmente só possuem opções de asfalto e pista de corrida. Já pneus muito curtos e pequenos geralmente só possuem opção pelo asfalto.

Além do tipo de terreno, os pneus se dividem em dois grandes grupos: com câmara e sem câmara. Pneus sem câmara geralmente são mais resistentes, possuindo uma tolerância razoável a furos e outros danos. Já os com câmara são mais facilmente consertados quando furados, bastando reparar a câmara de ar, um processo mais fácil do que o conserto de um pneu sem câmara danificado.

Geralmente o que determina se a moto usa pneus com câmara ou sem é o tipo de roda. Rodas de liga leve trazem a possibilidade do uso de pneus sem câmara, com a vantagem de poderem também usar pneus com câmara. Já as rodas raiadas de aço só permitem o uso de pneus com câmara (com a notável exceção das rodas raiadas de algumas BMW). Porém, uma roda raiada tem a grande vantagem de ser mais resistente do que sua contraparte de liga leve. Em caso de um impacto forte, como por exemplo um buraco muito grande no asfalto, a roda de liga leve tende a quebrar com a pancada. Já as raiadas amassam mas não quebram, possibilitando que a viagem continue.

Rodas raiadas com pneus sem câmara, uma obra de arte da montadora alemã!

Acessórios

Quase todas as motos possuem uma série de acessórios disponíveis para customização da mesma. Abaixo, destacam-se alguns que fazem diferença durante uma aventura motociclística.

Bolha: Uma bolha de tamanho decente na frente pode proporcionar uma ótima proteção aerodinâmica para o piloto, diminuindo a força que o mesmo tem que fazer contra o vento para sustentar o corpo.

Protetor de Mãos: Acessório essencial, além de proporcionar proteção aerodinâmica para as mãos, também as protegem contra pedras e outros pequenos objetos que são constantemente arremessados pelas rodas de outros veículos. Imprescindível para se viajar no frio.

Aquecedor de Manoplas: Muito bom para climas muito frios. Quando se viaja no frio, as partes do corpo que mais sofrem são os pés, as mãos e o rosto. Um aquecedor de manoplas pode resolver boa parte do problema.

Faróis auxiliares: Muito bons para se andar a noite. Faróis de milha e/ou neblina proporcionam mais segurança para o motociclista. Apesar de viajar a noite ser desaconselhável, uma hora será necessário trafegar depois do por-do-sol.

Portanto, motos que possuam esses opcionais são mais desejáveis para o moto aventureiro.

Peso

Por último, mas não menos importante, o peso de uma moto deve ser levado em conta. Motos muito pesadas são difíceis de manobrar, menos ágeis e mais propensas a quedas. Durante viagens será necessário manobrar a moto sem o auxílio do motor diversas vezes, seja para “dar ré” ou levar uma moto sem gasolina para o posto mais próximo. Portanto motos mais leves que suas concorrentes ganham pontos nesse quesito.

A partir das características descritas acima, é possível chegar a alguns estilos e modelos mais adequados a serem motos aventureiras. Mas esse será o assunto do próximo post sobre moto aventura.

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From → Moto Aventura

2 Comentários
  1. Ricardo Ojea permalink

    Saudações ….. estou pretendendo fazer a mesma viagem que vcs fizeram para Machu Picchu …. vcs podem me enviar a história completa para eu guardar e ler, aproveitando as dicas ?? Aguardo um retorno, Obrigado: ojea@ig.com.br

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