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Oiapoque – 1º Dia – Belo Horizonte – Cristalina

25/04/2012

Por increça que parível, conseguimos chegar no horário combinado de 7h no primeiro posto depois do CEASA, na BR 040 saída pra Brasília. O dia estava ótimo para o início de mais uma grande jornada, claro e sem sinal de chuva. Abastecemos, calibramos, ajustamos bagagens, conversamos, fizemos um briefing, tomamos café. A saída foi bem tranquila e às 8h estávamos na estrada. Nosso destino do dia era Brasília. Mas, o dia seria bem longo muito antes de chegarmos lá.

A saída

Seguindo a máxima que nos primeiros dias é que aparecem os problemas, a Viraguinho do Alessandro não tardou a falhar. Logo no primeiro trecho da viagem ela apresentou problemas. Aproveitamos a primeira parada para darmos uma geral nela. Segue relato retirado do site do Alessandro (http://alefilizzola.wordpress.com/2011/10/26/roteiro-de-viagem-jalapaoto/):

“Com cerca de 170km rodados a Viraguinho começou a apresentar problemas de alimentação muito semelhantes a entupimentos no carburador. A primeira providência pra não atrasar a viagem foi parar em um posto e reabastecer com um aditivo de limpeza rápida de bicos e carburadores na esperança de ser apenas algum cisco de goma ou coisa parecida. Afinal, a moto estava revisada, com carburador limpo e com tudo em dia. Demos um tempo pra ele agir, tomamos um café, e voltamos pra estrada.”

Depois do tal aditivo, saímos para a segunda perna da viagem e tudo parecia ter voltado ao normal. A Viraguinho rendia bem e seguíamos em nossa velocidade de cruzeiro normal, em torno de 120 km/h.

On the road

On the road

Porém, os problemas voltaram rápido. Engasgos constantes e falta de potência dominaram a moto do Alessandro. Ela ia cada vez mais diminuindo a velocidade de cruzeiro, caindo pra 90, 80 km/h. Antecipamos a segunda parada, para almoçar e dar uma fuçada no carburador para ver se era um possível entupimento. Enquanto isso o Rui e o Alessandro formularam outras teorias para a origem das falhas.

Na terceira parte do dia, eu e o Rui resolvemos fazer uma troca de esposas, digo, de motos. Eu fui testar a versatilidade da XT e o Rui se deleitou com a potência da Buell. Ambos saímos bem satisfeitos com a experiência: a XT é mais confortável do que eu imaginava, uma senhora companheira de viagens, versátil e confiável. E a “Buell é um canhão”, nas palavras do Rui.

Dângelo na XT

Dângelo na XT

Rui na Buell

Rui na Buell

Já a Viraguinho, continuava com o mesmo comportamento: depois das paradas, andava bem, e logo depois começava a falhar. Várias teorias passaram pela cabeça dos nossos mecânicos, mas nenhuma se mostrou realmente certeira. Mais do que isso, o maior problema era que estávamos gradualmente reduzindo nossas opções…

No trecho entre Paracatu e Cristalina, caímos em uma mesma pegadinha que já nos pegou no passado: falta de posto. Deixamos de abastecer em João Pinheiro para tentar um posto mais adiante, e surpresa: o posto estava em reforma. Dali pra frente eram mais 70 km até o próximo posto, o que impossibilitava a chegada das custom. Como havia posto 30 km pra trás, resolvi pegar 2 galões vazios que havíamos levado, amarrei na Buell, e voei de volta pra Paracatu buscar combustível.

Abastecendo o piloto para reabastecer os galões

Abastecendo o piloto para reabastecer os galões

Nesse meio tempo o Alessandro, que tinha levado boa parte da elétrica da moto de reserva, resolveu trocar o CDI. Quando voltei, a operação já tinha sido completada.

Seguimos para Cristalina, a Viraguinho com os mesmos problemas. Acabou que em alguns trechos íamos revezando quem ia acompanhando o Alessandro, enquanto os outros davam umas boas esticadas nas retas infinitas de Goiás.

Numa dessas, eu e Haroldo disparamos na frente e o Rui ficou acompanhando o Alessandro, no que a Viraguinho dá pane elétrica total e simplesmente apaga. Como sempre esperávamos os demais companheiros após algum tempo de afastamento, eu e Haroldo paramos na estrada e aguardamos. Depois de um certo tempo o Alessandro chama no rádio (talkabouts que sempre levamos nessas viagens) e avisa que eles estavam trocando o borne do cabo da bateria da Virago. Conversando, estimamos que a distância entre nós era cerca de 10 km, o que nos chamou atenção para o bom alcance do radinho.

Após a Viraguinho voltar a andar (ainda baqueando) e nos reencontrarmos na estrada, seguimos até Cristalina, onde paramos em um posto para abastecermos. Já era noite e decidimos ficar por ali mesmo, pelo risco da Virago dar pane na estrada no meio da noite. Ficamos em um hotel bem ao lado do posto, e depois de desmontada a bagagem, Rui e Alessandro foram desmontar metade da Virago pra ver se achavam o problema.

Equipe Virago começa o trabalho.

Enquanto eu e Haroldo sapeávamos a operação na Virago, tivemos uma surpresinha desagradável: a Dragstar estava com pneu traseiro furado. Sorte nossa que no dia anterior, durante os preparativos, tínhamos examinado o manual para descobrir como tirar a roda com o cardã.

Haroldo: "Mô ficou com ciúmes da Virago e quis chamar atenção..."

Eu a Haroldo começamos a operação Dragstar. Levamos a Drag pro borracheiro do posto, que estava atendendo alguns caminhoneiros e iria demorar um pouco pra nos atender. De qualquer forma, antes de chegar a nossa vez, tínhamos a difícil missão de desmontar a roda traseira da Drag, por causa do eixo cardã. O primeiro desafio foi suspender aquele monstrinho para deixar a roda livre. Depois começou a luta para retirar todas as ferragens que travam o varão de freio, o tambor, e outras. Alguns parafusos estavam bem gastos. Em várias idas e vindas ao Rui e suas ferramentas (o borracheiro não estava assim tão perto do hotel…), retiramos o que pudemos sem forçar muito, com medo de quebrar alguma coisa. Enquanto isso íamos tendo notícias da Virago, que não eram boas. A pane elétrica continuava.

Por fim, paramos o processo em um parafuso particularmente travado, e achamos melhor esperar pelo Rui, que já tinha as manhas todas de desmontar motos. Se tivesse jeito de retirar o parafuso sem quebrar, ele saberia como fazê-lo. Acabado o serviço na Virago (sem sucesso), o Rui se juntou a nós na Drag. Removido o tal parafuso (na base da força mesmo), continuamos o desmonte e entregamos a câmara de ar para o borracheiro arrumar.

Não foi nada fácil suspender essa peso-pesado.

Câmara reparada, fizemos o complexo procedimento de montagem. Em meio a esse procedimento, contamos com a ajuda do caminhoneiro que estava sendo atendido pelo borracheiro anteriormente. Ele nos forneceu o parafuso para substituir o espanado que nos atrapalhou na hora de desmontar. E pra variar, como todos os inúmeros bons samaritanos que encontramos em nossas viagens, não quis nada em troca que não fosse uma boa conversa.

A Drag e sua equipe médica.

A Drag recuperada e sua equipe médica.

Drag montada, era hora de decidir o que fazer a respeito da Virago. As perspectivas não eram boas. Rui e Alessandro fizeram o que puderam, e não havia indícios que o problema tinha sido resolvido. Um fato é que a bateria teria que ser trocada, e parecia que ainda havia algo misterioso na parte elétrica. Após uma conversa com o dono do hotel, que se ofereceu pra nos ajudar, foi decidido que no dia seguinte, bem cedo, o Alessandro iria procurar um mecânico para retirar o alarme da moto, uma possível causa dos problemas, e arrumar outra bateria.

Voltamos ao hotel por volta de 2 e meia da manhã, para tomar uma merecida cerveja que o Alessandro conseguiu descolar no hotel. Oficialmente atrasaríamos a viagem em um dia, já que no dia seguinte ainda tentaríamos recuperar a Virago, e portanto devia sobrar algum tempo para um pequeno tour em Brasília. Essa é uma vantagem de roteiros mais “abertos” e menos rígidos, é mais fácil se adaptar a situações imprevistas.

Restava esperar o dia seguinte para saber qual seria o destino da Virago, e com ela o Alessandro.

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