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Oiapoque – 5º Dia – Araguaína – Mãe do Rio

17/05/2012

Conseguimos acordar cedo, pra variar. Aproveitamos a primeira leva de café da manhã do hotelzinho para comer rápido e zarpar.

O dia ia rendendo incrivelmente bem. Subimos pela 153 e cruzamos a fronteira do Maranhão, indo em direção a Imperatriz. O calor continuava o mesmo, mas felizmente a umidade havia melhorado um pouco. Com dia bom, fizemos umas boas fotos na estrada.

Sorria...

Sorria…

Pudemos comprovar a fama do Maranhão ser o estado mais pobre do Brasil. Passamos por várias cidadezinhas de beira de estrada, e todas elas eram incrivelmente pobres. Crianças na beira da estrada em roupas esfarrapadas eram comuns. Passamos pelo município de Imperatriz, mas não chegamos a entrar na cidade.

"Mirror, mirror on the wall"

“Mirror, mirror on the… bike…”

Em pouco tempo adentramos no estado do Pará, deixando nossa rápida estada no Maranhão, mas ainda impressionados com a pobreza.

Drag qu... star !

Drag qu… star !

Continuando a estrada paramos para um almoço rápido em Ulianópolis, cidade que carinhosamente apelidamos de “Ulôlôlôlô” devido a nossa incapacidade de lembrar o nome dela…

Supergêmeos ativar! Forma de motociclista!

Supergêmeos ativar! Forma de motociclista!

O dia ia rendendo muito bem, e Belém já era uma realidade, se mantivéssemos o ritmo. Seria possível chegar lá ainda de dia. Mas o que seriam dessas nossas viagens sem alguns imprevistos…

Quando chegamos a uma cidadezinha chamada Mãe do Rio, eu e o Rui nos distanciamos um pouco do Haroldo e mais a frente demos falta dele e o aguardamos na estrada. Passou-se algum tempo e nem sinal dele, no que nos resolvemos voltar, procurando por ele nos postos de gasolina. Sem sucesso, voltamos mais um pouco para antes da entrada da cidade.

Achamos o Haroldo parado na estrada, a Drag aparentemente sem gasolina. Achamos isso estranho, pela quilometragem que havíamos percorrido desde a última parada, e bastou abrir a tampa do tanque e balançar a moto para comprovar que a gasolina estava lá. Tentamos algumas coisas para fazer a moto pegar, mas nada. Nem sinal de vida. O sintoma era de cilindro seco, e o Rui rapidamente supôs qual seria o problema: falha na bomba de gasolina.

Sugeri que rebocássemos a moto para o posto mais próximo, que devia estar a uns 500 metros do local onde paramos. O Rui sacou uma corda da bagagem, e usamos a XT para rebocar a Drag. Chegamos no posto onde iria ser feito o procedimento de abrir a moto e verificar a bomba. Por sorte, antes que começássemos, descobrimos uma oficina logo ao lado do posto, para onde levamos a moto.

"Quase em Belém, Mô decide que não gostou da peça que comprei e vai dormir" - Haroldo

Haroldo: “Quase em Belém, Mô decide que não gostou da peça que comprei e vai dormir”

O Haroldo havia mencionado que mandou recuperar a bomba de gasolina da Drag algum tempo atrás, que ela já havia falhado. Pelos sintomas, era quase certo que o problema era a bomba. Conversamos com o mecânico responsável pela oficina, perguntando se teria como ele arrumar o problema pra nós, apenas para obter a resposta: “Moço, eu nunca vi dessa moto não, aqui não existe isso não”. Bom, como tínhamos uma equipe completa, com mecânico, ajudante e flanelinha, bastou pedir as ferramentas do sujeito emprestadas, e partimos para a ação.

Enquanto o Rui desmontava, eu ia segurando a moto com a nariga

Enquanto o Rui desmontava, eu ia segurando a moto com a nariga.

Enquanto eu e o Rui sofríamos para conseguir chegar na bomba de gasolina, o Haroldo se juntou ao mecânico que nos ajudava com as ferramentas, e foi tentar arrumar uma bomba de gasolina nova.

A bomba de gasolina fica estrategicamente posicionada em um local com dispositivo corta-dedo.

A bomba de gasolina fica estrategicamente posicionada em um local com dispositivo corta-dedo.

Mais alguns tempos depois, finalmente conseguimos sacar a bomba. O Rui arrumou alguns fios e foi testar a danada, pra confirmar que o diagnóstico tinha sido certeiro: nem sinal de vida.

O mecânico da oficina, agora já chegado nosso, havia conseguido uma bomba de carro. Então tínhamos duas opções: usar a bomba de carro no lugar da original, ou colocar o tanque diretamente conectado ao carburador, sem a bomba, e rezar para a gravidade ser suficiente. A primeira opção era demasiada arriscada, uma vez que a pressão extra da bomba de carro poderia causar danos ainda piores. Optamos então por remontar a moto sem a bomba de gasolina.

O Rui avaliou que, pela posição da saída do tanque e da entrada do carburador, o Haroldo iria perder uns preciosos litros de gasolina, diminuindo a autonomia pela metade. Isso ainda era ótimo, desde que nosso companheiro pudesse continuar a viagem conosco.

O Haroldo chegou com as mangueiras de combustível novas, fizemos a ligação direta do tanque com o carburador, e remontamos a moto. Todo esse processo havia tomado todo o resto do nosso dia, e já era um fato que iríamos ficar por ali mesmo. A nossa preocupação no momento era devolver as ferramentas do camarada e deixar que ele fosse pra casa.

Moto montada, colocamos ela no chão. Estávamos apreensivos se a ligação direta tanque-carburador iria funcionar, pois ainda existia o risco da gravidade não ser suficiente. Tentamos ligar a moto apenas com a gasolina que estava no tanque, e nada. Antes que a bateria arriasse, mandamos o Haroldo até o posto para fazer o teste de tanque cheio.

Enquanto o Haroldo empurrava a Drag, íamos recolhendo as ferramentas e ajudando o camarada a fechar a oficina. Todos tínhamos na cabeça o pensamento que o Haroldo poderia ter que parar a viagem… e não sabíamos ainda o que iríamos fazer se isso acontecesse. Só posso imaginar o que se passava na cabeça dele. Já tive a sensação de quase ter que abandonar o barco e posso dizer que é terrível.

Mas, Murphy já tinha usado toda a cota diária conosco. Pouco depois o Haroldo aparece montado na Drag, acelerando que era uma beleza. Dito e feito: com tanque cheio, a gravidade era suficiente para levar gasolina ao carburador sem a bomba. Porém, o fluxo agora seria bem menor que o normal, e o Haroldo deveria tomar cuidado de agora em diante com aceleradas bruscas e principalmente com a autonomia. Também era provável que iríamos ter que diminuir o ritmo. Mas nada disso importava frente ao fato que o Haroldo poderia continuar a viagem!

Depois do susto, a reconciliação.

Depois do susto, a reconciliação.

Fomos dormir em um hotel próximo, e o Haroldo começou a matutar como ele poderia conseguir uma bomba de gasolina nova para a Drag. No dia seguinte deveríamos chegar em Belém bem cedo, já que estávamos a apenas 200 km de lá.

From → Oiapoque

One Comment
  1. gushm permalink

    Pior que fui eu que indiquei pro Haroldo o recondicionamento da bomba de gasolina…
    Fiquei triste pacaraio quando fiquei sabendo que deu pau lah.
    A minha bomba, recondicionada no mesmo lugar, tah blz até hj, 1 ano depois (apesar de ter rodado bem menos). Vai ver foi murphy mesmo…

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