Skip to content

Oiapoque – 9º Dia – Santana – Macapá

20/08/2012

Acordamos ainda em meio a nossa viagem fluvial. O barco levaria toda a manhã para chegar ao porto de Santana, de onde partiríamos para Macapá, capital do estado do Amapá.

As vilas ribeirinhas ainda eram parte do cenário.

As vilas ribeirinhas ainda eram parte do cenário.

Antes de chegar ao nosso destino ainda pudemos apreciar um efeito digno da grandeza dos rios da região: o momento em que não se consegue ver a outra margem.

Não sei se o sertão vai virar mar, mas esse rio já é um...

Não sei se o sertão vai virar mar, mas esse rio já é um…

Mais algumas horas e finalmente aportamos em Santana. O porto, diferente das ripas de madeira de Belém, era uma balsa atracada aos muros da orla. O calor era de quase 40 graus. Isso significa que estávamos prestes a descer em uma chapa quente, onde deveríamos ainda montar as bagagens nas motos antes de partir. Era literalmente sair do forno pra cair na frigideira, com a diferença que a frigideira estava dentro do forno…

Notem minha incredulidade ao observar a frigideira onde estávamos prestes a pisar...

Notem minha incredulidade ao observar a frigideira onde estávamos prestes a pisar…

Como não havia outro jeito, desembarcamos as motos na balsa, dessa vez sem o vão perigoso, cortesia do nosso porto flutuante que estava sempre nivelado com a saída do navio. Em compensação, começamos rapidamente a torrar com o calor, pés primeiro. Nos apressamos a montar as malas nas motos e, sem conseguir vestir as roupas de proteção, amarramos tudo de qualquer jeito por cima das bagagens, na pressa de sair logo dali. Saímos de camiseta, bermuda e chinelos, torcendo para não termos deixado nada para trás na correria. Na saída do porto, em uma passagem particularmente estreita, a moto do Haroldo dá uma arranhada no escapamento.

Como todo porto, o de Santana era um lugar bem desagradável, com sujeira pra todo lado, ruas malfeitas e becos. Rapidamente achamos uma estrada e seguimos em direção a Macapá. Não importávamos com o fato do sol estar cozinhando nossa pele: o vento aliviava o calor e era tudo que importava no momento.

Mais uma meia hora de estrada e chegamos a Macapá. A cidade agradou à primeira vista. Logo na entrada, avistamos o marco zero, que marca a localização da linha do Equador, apesar de nessa ocasião ainda não sabermos que se tratava disso. Pouco depois um carro nos passa e faz sinal para pararmos.

A primeira parada em Macapá, para uma recepção a la Pirapora.

A primeira parada em Macapá, para uma recepção a la Pirapora.

Paramos. O tal carro era dirigido por um piraporense, que nos parou quando viu a placa da moto do Haroldo. Depois de uma boa prosa, o irmão do sujeito, que também era de Pirapora, nos levou para um hotel bacana e bem localizado. Nesse caminho conhecemos a bonita orla de Macapá.

A bela orla de Macapá.

A bela orla de Macapá.

Macapá nos surpreendeu. É uma cidade bonita e, ao contrário de outras capitais, parece um lugar tranquilo no geral. Com seus 400 mil habitantes, ainda não foi dominada pelo caos das grandes cidades. É a única capital que não possui ligação por rodovias com outras capitais, e também a única cortada pela linha do Equador.

Chegamos ao hotel. Achamos o lugar um pouco caro, mas procurar outras opções ia dar mais trabalho do que qualquer um de nós estava disposto a encarar. Acabamos conseguindo um desconto depois de chorar com o gerente, e ficamos por lá mesmo. Ainda fomos abordados por um compadre de minas, que passava por lá numa Falcon, e por um surdo-mudo que, por incrível que pareça, conversava muito bem.

O hotel em Macapá.

O hotel em Macapá.

Depois do merecido descanso vespertino, fomos atrás dos melhores pratos que existem por aqui: camarão e peixe. Sentamos em um quiosque na orla e apreciamos uma boa cerveja regada a camarão e peixe. Não era tão bom quanto o camarão de Belém, mas dava pro gasto.

Foto "um pouco" desfocada da orla à noite.

Foto “um pouco” desfocada da orla à noite.

Terminamos o dia ali mesmo no quiosque. Depois de satisfeitos com as porções, voltamos ao hotel e fomos ao merecido descanso, depois de sobreviver a mais um dia no calor do norte do Brasil.

Anúncios

From → Oiapoque

3 Comentários
  1. Marcelo permalink

    Prezado Leonardo Muzzi,

    Seus relatos de viagem são espetaculares, venho vigiando seu blog esperando pela conclusão do relato desta aventura amazônica. Continue até o fim, pois não posso ficar sem saber como tudo termina. A única coisa que me deixa muito triste, é que tenho uma Ulysses Preta 2007 igual a sua, mas a minha moto não anda, está a mais de um ano parada e não consigo fazê-la funcionar, quem sabe um dia poderei viver aventuras como as que você teve o prazer de viver.

    Um grande abraço,

    Marcelo

    • Marcelo, muito obrigado pelo feedback, vale muito pra mim saber que os relatos são apreciados. Com certeza vou terminar a história do Oiapoque, pode continuar acompanhando. E mais também virão com certeza.

      Coincidência ou não, estou vendendo a minha Ulysses, que já me deu tantas alegrias como você pôde ler. Quem sabe não é sua vez de viver suas aventuras nela? E se você for de BH como seu email sugere, mais fácil ainda. Se interessar, me contate.

      Leonardo

  2. Oi Leo.
    Legal Cara! Mto bom, aliás, ótimo o seu “diário de bordo”. De uma forma clara e objetiva vc descreve com clareza e fedelidade os momentos e situações vividas.
    Vou acompanhar, de perto, as suas narrativas.
    Parabéns.
    Forte abraço a vc, ao Haroldo e Rui.
    Cecy

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: