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Oiapoque – 12º Dia – Oiapoque – Saint-Georges

23/09/2012

Acordamos tarde e saímos pra andar na cidade. Conhecemos algum comércio, achamos uma padaria (onde não tinha pão) e paramos para tomar café.

A cidade de Oiapoque não é lá muito convidativa. Demos mais algumas voltas, e o Rui achou uma papelaria onde comprou um dicionário francês-português. Queria estar treinado para nossa incursão na guiana.

Próximo à hora do almoço, fomos para a beira do rio pegar um barco para ir até a Guiana. Os barcos que fazem a travessia são chamados de catraias, que são barcos pequenos com o fundo chato.

Na catraia. Essa ponte aí no fundo está prontinha para ser usada e vai ligar o Brasil na Guiana Francesa.

Na catraia. Essa ponte aí no fundo está prontinha para ser usada e vai ligar o Brasil na Guiana Francesa.

Postos BR: Para o seu carro e o seu barco!

Postos BR: Para o seu carro e o seu barco!

A medida que íamos nos aproximando do território francês, a apreensão aumentava. A ideia de entrar sem o visto não soava bem, mas como não tínhamos outra opção…

Chegando na frança sul americana. Essa vanzinha aí, que poderia ser da polícia, fez a gente cagar de medo.

Chegando na frança sul americana. Essa vanzinha aí, que poderia ser da polícia, fez a gente cagar de medo.

Desembarcamos em Saint-Georges, ou extra-oficialmente Saint-Georges-de-l’Oyapock. Trata-se de uma minúscula comuna francesa de 3700 habitantes.

Saint-Georges-de-l'Oyapock

Saint-Georges-de-l’Oyapock

Apesar do norte do Brasil estar logo ali do outro lado do rio, a diferença entre Saint-Georges e Oiapoque é gritante. Tirando o clima, parecia realmente que estávamos na Europa. Casas no estilo europeu, ruas organizadas e limpas, praças, quiosques, restaurantes, tudo o que era necessário para criar o cenário francês estava presente. Além, é claro, dos habitantes, europeus bem característicos.

"Visitantes"

“Visitantes”

Continuamos andando até achar uma praça que parecia marcar o centro da cidade. Em volta dela se destacavam alguns restaurantes e o que parecia ser a prefeitura.

Um pedaço da França na América do Sul

Um pedaço da França na América do Sul

A todo momento, ficávamos olhando pra todos os lados em busca de sinais da polícia. Tentávamos não fazer cara de estrangeiros, mas num lugar desse tamanho, acho que não adiantava muito.

Imigrantes legais! Pode perguntar por aí, nos somos mó gente boa!

Imigrantes legais! Pode perguntar por aí, nos somos mó gente boa!

Terminado nosso pequeno passeio pela pequena cidade, entramos em um dos restaurantes presentes em volta da praça para almoçar. Enquanto tentávamos descobrir o cardápio, uma situação inusitada: dois policiais entram pela porta. Gelamos na hora… Os policiais foram cumprimentando todo mundo no restaurante, e por fim cumprimentaram a gente. Acenamos com a cabeça e saímos de fininho, passamos do lado do carro da polícia, e rumamos para o outro restaurante. Ufs… um alívio.

Sentamos em uma das mesas e fomos atendidos por um garçom, que trouxe um cardápio. Nesse momento, o Rui sacou seu poderoso dicionário de bolso e foi treinando como fazer o pedido dos pratos em francês. Estávamos em dúvida quanto ao significado de algumas palavras, e mesmo como iríamos pagar, pois a ultima coisa que tínhamos na carteira eram Euros ! Depois de muito treino e suar bastante o cérebro, o Rui chama o garçom, e num francês vagabundo, custa a perguntar: “Podemos pagar com nossos cartões de crédito ?”, no que o garçom responde num bom e claro português brasileiro: “Sim, com certeza !”.

Começamos a rir na hora. O garçom continuou explicando (em português…) que era brasileiro e foi morar na guiana, e que além disso todo garçom entendia português por ali. Pedimos os pratos e continuamos nosso almoço.

Comendo ex-cagô.

Comendo ex-cagô.

Terminamos nossa refeição, pagamos a conta em euro usando cartões de crédito e fomos embora. Mas não sem antes vislumbrar a cara de decepção do Haroldo por não conseguir uma moeda de um euro pra usar na máquina automática de venda de camisinhas que ficava ao lado do banheiro.

Saímos em direção ao rio, para novamente pegar uma catraia para o Brasil. Trajeto tranquilo, e despedimos de Saint-Georges, depois de uma visita tranquila à Europa latina.

Au revoir!

Au revoir!

Voltando para Oiapoque, chegamos bem a tempo de ver a revoada de andorinhas, um espetáculo bastante interessante na cidade: milhares de pássaros pretos sobrevoam a cidade e vão pousar em duas árvores localizadas na avenida central.

Enquanto apreciávamos a impressionante nuvem negra de pássaros, encontramos novamente nossos companheiros de aventuras, Cecy, Bolão e Zé Carlos. Eles perguntaram sobre a nossa ida à guiana, no que se seguiu um diálogo mais ou menos assim:

Eles: “E aí, foram na Guiana?”

Nós: “Fomos, claro. Almoçamos, andamos, tiramos foto, e voltamos. E vocês?”

Eles: “Fomos, claro! Fomos presos, levados pra delegacia, deportados, e voltamos!”

Depois eles explicaram que, assim que botaram o pé em solo francês, apareceu a polícia de fronteira e os abordou. Foram levados pra uma delegacia, onde tiveram que preencher uma série de documentos. Foram colocados em um barco da polícia e levados de volta, com um registro de que não poderiam voltar para a guiana francesa pelos próximos três anos. Mas fora isso, não houve mais nenhum problema.

Fim de tarde, fomos caçar um lugar com internet para nos comunicarmos com o mundo exterior, mas para nossa decepção as duas lan houses que conseguimos encontrar estavam sem internet. No fim das contas conseguimos acessar a partir de uma delas, após o acesso ser restabelecido.

A noite, fomos para um bar encontrar com os Tigres do Asfalto, e terminamos o dia em meio a bons papos de motos e viagens. Fomos dormir tarde da noite, sem pressa e sem horário, curtindo numa boa o clima de companheirismo que havia se instalado ali em nossa mesa, junto aos nossos novos amigos. Afinal, é sempre bom estar com algumas daquelas poucas pessoas que, como nós, entendem porque é preciso viajar… de moto!

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